O Colecionador de Estrelas
O menino de olhos tristes
descalçou os sapatos,
rasgou os contratos
e partiu.
Foi colecionar estrelas.
Algumas delas
deslizaram do escuro
e ofereceram-se encantadas;
outras, lívidas de espanto,
ficaram acuadas sem se entregar,
pois o menino de olhos tristes
destelhara os segredos da noite
e dominara os decretos do mar.
Ao perceber-se abarrotado de estrelas,
o menino içou as velas
e voltou.
Mas - surpreso - constatou
que sua coleção tinha debandado
e retornado a seu próprio território.
Ele olhou o céu novamente estrelado
e dormiu agradecido.
O menino de olhos tristes tinha aprendido
a beijar a vida e abraçar o transitório.
Flora Figueiredo
...
"A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que o seu mundo seja uma fantasia, sua vida um sonho,nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que 'seu mundo' é maior que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equilibrada..." (LANGER, Suzanne K.) - Filosofia e Psicologia da Arte
segunda-feira, 23 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
O Coleciona-dor
Quando o dia começa...
Inicia a rotina,
Não devo esquecer o dia da semana.
Mas que dia é hoje?
Hoje será um dia de ganhar palavras.
O que dirá as palavras?
E ontem?
Não sei que dia foi.
Mas foi o dia de juntas palavras.
Belas... Destrutivas... Comuns...
Ganhei poucas, não foi o suficiente,
Eram tão poucas que ficaram saltitando na mente o dia todo.
Poucas para concluir o meu texto,
Mas bastante para me fazer perder a noção do tempo.
Quando o dia termina...
Junto novas palavras...
Penso...
Durmo...
Acordo...
Quando o dia começa...
Inicia a rotina.
Hoje será um dia de ganhar palavras.
O que dirá as palavras?
...
Quando o dia começa...
Inicia a rotina,
Não devo esquecer o dia da semana.
Mas que dia é hoje?
Hoje será um dia de ganhar palavras.
O que dirá as palavras?
E ontem?
Não sei que dia foi.
Mas foi o dia de juntas palavras.
Belas... Destrutivas... Comuns...
Ganhei poucas, não foi o suficiente,
Eram tão poucas que ficaram saltitando na mente o dia todo.
Poucas para concluir o meu texto,
Mas bastante para me fazer perder a noção do tempo.
Quando o dia termina...
Junto novas palavras...
Penso...
Durmo...
Acordo...
Quando o dia começa...
Inicia a rotina.
Hoje será um dia de ganhar palavras.
O que dirá as palavras?
...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Não posso pensar que o meu livro era a caixa de Pandora, havia algo mais que Pandora não guardou em sua caixa e eu guardei nas páginas viradas.
O menino de asas.
Voar é incerto. Depende do impulso das asas, da vontade de quem as possui, do tempo e da direção.
Ao relembrar páginas do livro senti-me livre, senti desejos de possuir asas, já que o menino as tinha. Mas não poderia eu pedir-lhe emprestadas,
porque asas não se emprestam, apenas ensina a possuí-las.
Não perguntei em que página eu conseguiria um par de asas, não sabia nem mesmo se o menino poderia me ensinar onde encontrá-las.
Ele possuía asas. Eu o via quando alçava pequenos voos.
Asas feridas...
Como não reclamava não pude virar as páginas em busca de uma esperança para voos mais altos.
Esperança havia na caixa de Pandora - mas faltará a essa página - a essa somente, mas não em outras...
Cada página relida eu confundia o menino e o livro.
O menino tinha asas, e no livro estavam minhas asas.
E eu tinha o desejo de possuí-las.
Sentia o vento assoprar...
E ao mesmo tempo eu sabia -
vida de borboleta é curta demais -
e quem perdeu conhece o caminho que trilhou...
Conclui a página e guardei o menino de asas dentro do livro,
Uma raridade que Pandora não possuí.
...
domingo, 8 de maio de 2011
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