domingo, 31 de março de 2013

Sem Escolha



Quando penso em desisti, vem logo aquela sensação de cortar parte de mim, de extrair um órgão do meu corpo, e o receio de que algum sistema possa não funcionar corretamente. Isso pode ser a doença do século, não digo da moda, porque moda é algo de escolha. Eu tenho a minha, você tem a sua. Mesmo sendo contemporâneos  as modas são diferentes. Agora, quando digo doença do século é algo mais grosseiro, sem margem para escolha. Esta aí a palavra onde eu queria chegar escolha.  Decidir e desistir é questão de escolha. Escolhemos coisas boas o tempo todo, tentando acertar, encaixar, viver o perfeito, o pronto e acabado. Mas as coisas boas se transformam em ruins, é daí que buscamos por todos os lados se livrar delas. Se o mal aumenta, doamos um braço, uma perna, um rim, nunca o coração. Mas quando o mal infecciona a mente leva consigo o coração.



terça-feira, 26 de março de 2013



Perdi minha objetividade, era pouca, mas confesso que era motivo de orgulho. Pus-me a procurar em Machado de Assis, para ser mais exata no capítulo IX, Transição, de Memórias Póstumas de Brás Cubas.
 A leitura acendeu-me a inveja.
Um capítulo pequeno, não chega a vinte linhas, cuja palavras falam, dançam, saltam, vão além, e até riem de mim.
Melhor procurar a objetividade em outro lugar.
Veja agora com que desastre faço eu a transição.
Talvez o ser humano é como sabão, derrete de vagar ou torna-se duro, depende das condições que é submetido.
Penso que estou amolecendo, vou ler José de Alencar e chorar ao final de cada romance ou pode ser que romantismo e subjetividade dure apenas uma estação, vai passar...