sábado, 30 de outubro de 2010

Mamãe queria te contar:

Não me peça silêncio, porque não sei me calar.
Não me deixe sozinho, de medo eu posso chorar.
Não me peça para andar,
Tenho pressa, tenho sede de viver
E correr me satisfaz.
Não me peça para guardar segredos,
Não consigo ainda guardar os meus brinquedos
Que estão do lado de fora do meu corpo,
Quanto mais guardar palavras dentro de mim.
Não me peça para me acalmar quando recebo um NÃO.
O que tenho a fazer se quem eu amo me disse NÃO?
O que posso fazer senão chorar?
Não me faça dormir.
Dormir é morrer por horas, e depois acordar.
E eu não quero morrer, quero brincar.
Não me deixe longe dos meus amigos,
Melhor que os brinquedos são os amigos.
Não se afaste de mim, me cobrindo de brinquedos.
Teu abraço, teu sorriso, teu cheiro é o maior brinquedo
Inesquecível que uma criança pode ter.
Era tudo que eu queria te contar.


Andréia

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

À minha querida alma que inquieta está.

Vai-te de galho em galho querendo repousar.
Não te aflige pequena, descanso encontrarás,
É preciso fortificar...
O galho pode ser fino e vir a quebrar.
E tu alma querida, ainda não aprendeu a voar.
De asas tão pequenas como estrelas do mar!
Vai-te sofridamente aos galhos repousar,
Não esqueça alma fumegante deste corpo carregar.
És a tua cruz, até o dia em que dele se desprenderá.
Enquanto isso alma minha não queira retornar,
Aos galhos do passado que bons frutos não há.
Alegra-te alma pulsante em seu pouco espaço viajar,
Não querias, hoje, a imensidão porque não saberás retornar.
O corpo necessita de ti para essa jornada continuar.
Alimenta-te alma mutante do que julgas te cativar,
Lembra-te da sombra maravilhosa da árvore em que está,
Recorda-te da água cristalina que lhe vem a banhar.
Acorde alma “sonhante” não queira regressar!
Ao galho de folhas secas que não te deixa levantar.
Lembra-te alma minha que nem todos os galhos convêm repousar,
Mas da árvore não deverás deixar.
Lembra-te alma minha das folhas a balançar,
Trazem um som que a ti faz alegar.
Sente alma minha a paz onde está,
Pare de voar de galho em galho procurando o que não há.
Cuide alma minha deste corpo a te acompanhar,
O chão será o seu sombrio lar.
E tu alma querida aprenderá a voar,
Pois a árvore não mais existirá.



domingo, 24 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fui-me embora de pasárgada

Não sou amiga do rei
Não tive a recepção desejada
Não pude fazer as loucuras que imaginei


Fui-me embora de pasárgada
Aqui eu finjo ser feliz
Lá todas eram melhores que eu
Eu não tinha existência
Eu não tinha o que sempre quis


Aqui eu tenho que trabalhar
Tenho que estudar
Tenho que relatar
Tenho que fazer-me viva
Lá estava esquecida
Por toda a vida

Fui-me embora de pasárgada
O lugar já não me convém
Nenhum amor me satisfaz
Há a saudade do que não existe mais


Fui-me embora de pasárgada
Ao rei que não vejo mais
Que descansa em paz






quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quero meu casulo de volta

Quero meu corpo
Minha cápsula
Minha mente
Meu caixão
Meu fruto
Minha semente
Meu ventre
Minha nascente
Minha prisão.
Quero minha concha
Meu buraco
Meu acaso
Meu casco
Minha casa
Meu paraíso
Meu jardim
Minha estufa
Meu riso
Meu chão...



sábado, 16 de outubro de 2010

Quando se dá valor ao nada tudo que sobra é o resto de um vazio de você mesmo. (Andréia)
REFLEXÕES


Quem é?


Andréia: Chapeuzinho vermelho conhece?

Nunca sei quem é você, Quem é a outra.

Andréia: Que outra?

Personalidade.

Andréia: (risos) Isso te confundi?

Sim, muito.

Mas em todas eu sou a Andréia.

Tem dia que acho que você é uma chata
Tem dia que acho que é sua Irmã depravada.

Andréia: Não tem dia que acha que é uma fada madrinha?
só têm dias de bruxa?

São tão raros que nem lembro muito destes dias.
Mas confesso que você falando lembro-me
de já ter conversado com uma mulher agradável.
...


Vejo que mesmo tendo infinitas personalidades você tem juízo.


Andréia: Só me resta saber onde ele está.





domingo, 10 de outubro de 2010

Não posso deixá-la, visto de que fez-me companhia.

Não posso deixá-la porque ela ainda vive em mim.
Eu a aprisionei, amarrei, amordacei a enrolei.
Não quero ouvi-la, não quero senti-la, não quero possuí-la.
Mas ela está em mim.

Prendeu-me.
Separe o que mais nos une,
Não servir-te-ei mais.
De tudo eu fui atenta.
Modifiquei-me,
Declarei-me,

Fiz-me seguidora fiel.
Ouvi-te mesmo não querendo.
Senti mesmo não querendo.
Desejo que adormeça,

Como uma criança que dorme tranqüila,
E do sono passe ao mais profundo.
De tudo eu doei-me com esforços
Até à medida que não mais pude.
Sangrei-me por dentro, despedacei-me.

Oh! Procura deixa-me lentamente.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ao meu não amigo companheiro



Cansou-se de minhas palavras, era tudo o que eu tinha a oferecer-te.
Isolou-se das minhas perguntas, não precisava de minha amizade.
Ao menos foi sincero...
Deixou-me a impressão de que es um ser completo e decidido.
Um livro escrito numa única edição.
Não se discute, é único.
Sinto dizer-te companheiro não amigo,
Você não partiu você fugiu.
Fugiu do meu mundo.
Porque eu não necessitava de explicações,
Porque eu não necessitava de um ADEUS.
Obrigada pelos momentos de atenção.

ADEUS não amigo companheiro.

 
Andréia

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

                 PAIXÃO


















Talvez a pior doença da mente seja a paixão.

A pessoa deliria de amor no efeito dessa droga.
Olha para as nuvens e vê a pessoa amada.
Olha para a formiga e vê a pessoa amada.
Olha para o cachorro que passa, o mosquito, o vento e vê a pessoa amada.
Pobre insano! Quando não olha nada fecha os olhos e vê a pessoa amada.
Além de em tudo enxergar o fantasma da paixão ainda vive de servidão.
Quando se ama é como um tapete no chão, é como uma luva na mão.
É uma droga de efeito forte e passageiro.
Cumpre enfim ,todas as suas loucuras,
O que fica são apenas histórias para contar.



Andréia

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os caminhos

Chapeuzinho vermelho tinha dois caminhos a seguir, ir pela vila ou seguir pela floresta. Porém, ela foi pela floresta... Se ela tivesse ido pela vila a história seria outra. Teríamos uma nova história com final diferente e quem sabe um final mais feliz. Mas chapeuzinho desde a escrita do autor não seguiu outro caminho, foi sempre pela floresta e a história é sempre a mesma. A menina inicia a sua caminhada feliz da vida, até que aparece o lobo que para a sua tristeza engole a vovó...
Pobre chapeuzinho!
Teimosa feito ela, só eu. Isso que dá quando se escuta a voz do coração. É sempre a mesma história, sempre o mesmo caminho, quando se vê a vida passou...
Quero que chapeuzinho a partir de hoje não siga pela floresta porque este final eu já conheço. Se possível não siga nenhum caminho, não tem que alegrar a vovó quando ela mesma precisa de cuidados. Mas então, a história não existirá, chapeuzinho não sairá de casa.
Chapeuzinho poderia mandar um e-mail enganando o lobo mal. Deixá-lo-ia esperando num determinado lugar enquanto ela seguiria por outro, assim ela poderia sair de casa. Mas não, chapeuzinho não era má, o lobo é que era. O lobo sim tinha essa coragem de mandar e-mails catastróficos.
Chapeuzinho continuará estática e não haverá história.
Morre a literatura por tempo indeterminado, quem mandou seguir sempre o mesmo caminho. Agora não seguirá caminho nenhum como punição de sua desobediência. Meninas desobedientes merecem castigos. E o castigo é NÃO SEGUIRÁ CAMINHO ALGUM. Permanecerá presa até que reconheça friamente seu erro. Tomara que desta vez chapeuzinho aprenda a lição, pensará duas vezes antes de sair de casa.
A literatura enfim renascerá em novos caminhos, assim que a menina puder sair de casa. A história continuará...



Andréia