quinta-feira, 25 de novembro de 2010

                                          REFLEXÃO



A palavra REFLEXÃO vem do latim "reflectire" que significa "voltar atrás". É, pois um (re)pensar, ou seja, um pensamento em segundo grau. (...) Refletir é o ato de retomar, considerar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significados. É examinar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E isto é filosofar.


SAVIANI (1987, pág. 23).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

                 VIVENDO O PRESENTE SEM OBJETIVO



Às vezes me canso.
Penso em não remar contra a maré.
Penso em distribuir sorrisinhos e abraços a todos.
Ora! Não é isso que fazem comigo?
De sorriso em sorriso, de abraço em abraço serei o que chamam de “legal”.
É só seguir mansamente a direção das águas, sem questionar, sem criticar, sem observar.
É só aceitar e pronto já sou legal.
E o tempo?
Ah! O tempo agente esquece, o importante é ouvir o outro contar as belas façanhas, não posso me esquecer do sorriso é claro.
E se tiver alguém esperando?
Ora essa! Que espere.
Primeiro eu depois os outros.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

                                A BORBOLETA PRETA
 



A borboleta passando pela janela entrou num quarto onde havia um homem.


_ Que sublime ser!
Não é mesmo borboleta?
 Pode nos deixar feliz, infeliz e até nos tirar a vida.
Mas é belo.
E encantamos com ele, você e eu...
Talvez não tivéssemos o mesmo destino...Ou parecido...
 Eu posso sentir a alegria que você sentiu ao esvoaçar em torno do homem que estava no quarto, posso ver seus olhos a analisá-lo, admirando e examinando cada parte de seu corpo.

_Viu  aquela pinta nas costas dele? Chamou-me atenção porque não vi nenhuma além daquela.

Você gostou dos olhos?

_Lindos olhos pretos! São olhos de tigres brilhando na escuridão. Por trás do brilho uma história de caça, de conquista e sobrevivência.

Por aprender a lutar pela sobrevivência se tornam homens frios incapazes de responder a um gesto de carinho. E tu borboleta tão meiga a ponto de se aproximar e dispor de todo a sua história diante do homem, num simples beijo.
Não borboleta, você errou...
Ao adquirir inteligência muitos petrificam o coração, e o que você fez, para ele, foi apenas incomodá-lo. Você é apenas uma simples borboleta “negra como noite”. Você não tem brilho e beleza feito às outras.
Não temos,  você e eu.
Observe de longe a inteligência de um homem antes de se aproximar... Pode ser que a sua visão de mundo seja tão grande que ele a reduz numa vida inútil. Atribuir valores é uma forte característica humana. Andam em bandos segundo seus valores, mas mudam de bando conforme mudam de valores.
Seu erro  lhe custou à vida, não pelo seu gesto de amor, mas pela sua insistência de permanecer no quarto. Não viu que sua presença o incomodava? Não notou a fisionomia do homem que não tinha nada a lhe oferecer, apenas te expulsar?

_Pobre borboleta!
Que motivo terias tu de permanecer ali, senão amor.
Quantas outras borboletas cegas de amores, sofrendo, sem pernas, de asas quebradas ou sem asas, permanecem até a morte?
Não, eu não escolhi o mesmo destino que você, minha insistência não pode custar-me a vida.
Não serei teimosa...
Os homens são seres úteis, agradáveis e controladores.
Controlar é a aflição do século XXI, pessoas, informações, máquinas, objetos, comida, poder, sentimentos, desejos...
De todos o que não se controla por muito tempo é o desejo. Podem sufocá-los, mas eles sempre estarão vivos, grudados em seu ser como um parasita e aos poucos definem a pessoa que você é. Foi o que te matou, morreu pelo desejo de permanecer.

_Eu te entendo pequeno ser.
Era outro mundo, com brilho, vida e inteligência.
A inteligência foi o que mais te prendeu ali.
Eu sei que o seu desejo de permanecer era para se deleitar na inteligência do homem.
Era para mergulhar no subconsciente, descobrindo seu medo e segredos, decodificando o seu ser. Essa zona de aproximação que você queria alcançar é permitida apenas a alguém que lhe é dado uma senha chamada Amor. E você não tinha a senha...
Morreu porque não tinha a reciprocidade, não foi compreendida, não foi amada...


Andréia in Memória Póstumas de Brás Cubas - Capítulo - XXI A BORBOLETA PRETA.



terça-feira, 9 de novembro de 2010

                                   ORNAMENTO


Monstro do pântano cujo dente foi arrancado a golpes de machado, não o querem por perto. Permaneça-te na lama de onde veio. Se for monstro feito de barro, mistura-te a ele e torne-se um único elemento, mais nada. Se for homem composto de atrocidades, afunda-te na lama escondendo seu coração para não ser visto rastro de humanidade.

Homem ou monstro não importa.
O que vale é à lama que te cobre.
Todo homem é barro.
Todo homem é monstro.
Todo homem é solitário...
Unta-te da mais pura composição da natureza humana,
Cujo elemento não se encontra na sociedade.
Adorna-te do que está sob seus olhos e dentro do seu ser.
Sinta prazer num banho demorado de esmeralda, topázio, rubi e ouro.
Não deixará de ser homem monstro, mas a lama que te reveste dá o seu valor.



sábado, 6 de novembro de 2010

POR MAIS QUE DISFARCE AS PALAVRAS SEMPRE SERÁ O ESPELHO DE SUA ALMA


Sapo: Oi fada



Sapo: É minha fada madrinha?


Fada: Não, senhor.


Sapo: Que pena sou uma sapo querendo virar príncipe.


Fada: Ah! senhor sapo. Não sou uma fada boa.


Sapo: Aí Aí Aí. Fada má. São bruxas ou feiticeiras. Será que vou pro caldeirão? Sapo só se ferra nessas histórias.


Fada: Não comerei sapo algum.


Sapo: Vai me dizer que nunca engoliu um sapo na vida?


Fada: Conviver com sapos faz parte da vida humana, mas não precisamos engoli-los.


Sapo: Eu já engoli vários. Faz parte, a sociedade é hipócrita. E temos que sobreviver. Duvido alguém totalmente honesto e sincero.


Fada: Já os colocou para fora? Ou tens muitos sapos dentro de você?


Sapo: Na realidade não procuro sapos. Eu estou atrás de uma perereca.


Sou um príncipe. Mas finjo ser sapo. Só pra beijar princesas na boca.


Fada: Ufa! Sou fada.


Sapo: Sou democrático. Todas as princesas têm os mesmos direitos comigo.


É só ser princesa original de fábrica.


Fada: Como é ser princesa falsificada?


Sapo: É dessas que vem com... Não sabe não?


Fada: Não...


Então tu és príncipe.


Sapo: Digamos que sou verde, mas não sou rã. Talvez um ogro tipo sherek, porque sou careca, gordo e feio. Bom, também tenho um sorriso encantador.


Fada: Sem dentes?


Sapo: Não eu tenho dois.


Fada: Senhor sapo.


Sapo: Coach coach. Desculpe deu câimbra na língua quando fui pegar uma mosca.


Fada: Desse jeito você vai demorar a beijar alguma princesa... Gosto de príncipes. Tenho um pequeno príncipe...


Sapo: Todos têm um pouco de pequeno príncipe.


Fada: O que sabe sobre ele?


Sapo: “Tu tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”


Fada: Realmente é um príncipe. E não é um príncipe qualquer.


Sapo: Sou várias personagens. A cada presença um novo discurso, um novo cenário.  Mas quando encontro alguém inteligente meu personagem cai por terra, aparece meu eu verdadeiro. Adoro a inteligência. O cérebro é a parte do meu corpo que mais tenho orgulho... Gosto de exercitá-lo.


Fada: Qual é o seu verdadeiro eu?


Sapo: Tenho que ir. Tchau!


Fada: Tchau!


(Deixou passar o seu eu quando transmitiu em palavras a dor que mais aflige a sua alma - saudade)


Pode ser mil personagens, mas és um pequeno príncipe.