________//_________
Parti porque não era amor, não era amizade, não era companherismo.
Não sei o que era.
Parti porque a saudade crescia a cada dia, mesmo em sua presença.
Era saudade?
Parti porque as palavras já não era de paz, não era de discórdia...
Eram apenas palavras.
Parti porque o barulho do silêncio incomodava-me.
Doia-me os ouvidos.
Era silêncio?
Parti porque minha presença não era sentida, não era vista.
Era presença?
Parti...
Metade foi e metade ficou.
"A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que o seu mundo seja uma fantasia, sua vida um sonho,nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que 'seu mundo' é maior que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equilibrada..." (LANGER, Suzanne K.) - Filosofia e Psicologia da Arte
sábado, 23 de abril de 2011
Quando o medo vem
Quando o medo vem.
Fecho os olhos,
desligo o pensamento,
fujo do subjetivo.
Fecho o livro,
cubro-me,
cesso os movimentos.
Fecho a porta,
apago a luz,
e o silêncio faz-me companhia.
Quando o medo vem.
Fecho o pensamento,
cubro os olhos,
desligo os movimentos,
fujo da luz,
cesso o subjetivo,
E a porta faz-me companhia.
Quando o medo vem.
Apago o pensamento,
cubro o livro,
fujo da companhia,
Desligo a luz,
e acesso a porta.
Quando o medo vem.
Cessa o movimento dos olhos,
cubro a luz,
Fujo do pensamento,
E o subjetivo faz-me companhia.
Quando o medo vem.
Quando o medo vem.
Desligo o pensamento,
Movimento os olhos
A luz cessa a porta,
Quando o medo vem.
Fujo dos movimentos,
da luz,
do pensamento
e da porta.
Quando o medo vem.
Torno-me ausênte.
domingo, 17 de abril de 2011
A BONECA DE PANO II
Tempos depois lembrou-se da boneca.
Saudade?
Não, a vida tem dessas coisas.
Recordar.
E a boneca estava lá, sorrindo como sempre,
Sob a terra vermelha do jardim.
Estava mais velha, com a fisionomia empobrecida,
Não pelo esquecimento, isso não lhe faz diferença.
Foi o tempo que passou e levou suas cores, seu brilho...
Passastes por alí um inseto, achando graça da boneca quis brincar...
Sorriu para ela, e ao vê-la em trapos pôs-se a caminhar;
Mas de insetos a boneta não quer se aproximar.
Entre Rosas ela se viu, poderia demostrar alegria,
Senão fosse de pano.
Ouve de longe o jardineiro contar feitos sobre flores.
Quem sabe ele não lhe devolve vida!
Cultivá-la, como cultiva as Rosas!
A raridade da rosa é ser bela e fera.
Bonecas não pssuem espinhos.
_ Antes fosse bela como outrora!
A noite os pingos a umedeceu.
Saudade?
Orvalho?
Ou chuva?
...
Tempos depois lembrou-se da boneca.
Saudade?
Não, a vida tem dessas coisas.
Recordar.
E a boneca estava lá, sorrindo como sempre,
Sob a terra vermelha do jardim.
Estava mais velha, com a fisionomia empobrecida,
Não pelo esquecimento, isso não lhe faz diferença.
Foi o tempo que passou e levou suas cores, seu brilho...
Passastes por alí um inseto, achando graça da boneca quis brincar...
Sorriu para ela, e ao vê-la em trapos pôs-se a caminhar;
Mas de insetos a boneta não quer se aproximar.
Entre Rosas ela se viu, poderia demostrar alegria,
Senão fosse de pano.
Ouve de longe o jardineiro contar feitos sobre flores.
Quem sabe ele não lhe devolve vida!
Cultivá-la, como cultiva as Rosas!
A raridade da rosa é ser bela e fera.
Bonecas não pssuem espinhos.
_ Antes fosse bela como outrora!
A noite os pingos a umedeceu.
Saudade?
Orvalho?
Ou chuva?
...
sábado, 16 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
(Alberto Ceiro, in "O Guaradador de Rebanhos -
Poema XXI". Heterônimo de Fernando Pessoa)
quinta-feira, 14 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011

As Rosas
Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.
Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.
Machado de Assis, in 'Crisálidas'
Por que ROSAS?
Merlin o feiticeiro guardião do Rei Arthur conhecia quase todos os segredos da vida. Porém o amor, sempre o amor, fugiu-lhe a compreensão. Deixou-se prender por amor, rendeu-se aos seus encantos. Nem mesmo o maior dos magos não ousou pensar em outra fórmula para desfazer-se desta magia.
Não somos fadas, nem feticeiros, mas existe uma energia, que eu prefiro chamar de magia. Nem todos desenvolve um equilíbrio com uma outra mente, são raros pensamentos que atravessam as conecção nervosa do meu cérebro, tornando a mensagem uma porta de entrada para um outro mundo. E quando se abre as portas o que vejo são Rosas.
Mas por que Rosas?
E muitas ainda vermelhas. Qual o mistério por trás do mundo de Rosas?
Por que se apegar a Elas como se fossem de carne e espírito, como se Elas tivessem almas?
Por que descrevê-las com profunda apreciação para uma pessoa que sempre as admirou?
Por que tratá-las com imenso carinho como o pequeno príncipe?
Por que as possuí-las com tanto sentimento, como se Elas fizerem parte do passado?
Por que vejo Rosas por todos os lados , mas também sinto a ausência do amor e a presença da solidão?
Que mundo é este senão de um mago, feitceiro ou bruxo?
Não importa o nome que se dá.
Importa apenas a caminhada pelo mundo novo, curta ou longa...
O que vale é desvendar os porquês... os mistérios... os encantos...
...
Assinar:
Postagens (Atom)


