quarta-feira, 11 de maio de 2011

Não posso pensar que o meu livro era a caixa de Pandora, havia algo mais que Pandora não guardou em sua caixa e eu guardei nas páginas viradas.

O menino de asas.

Voar é incerto. Depende do impulso das asas, da vontade de quem as possui, do tempo e da direção.
Ao relembrar páginas do livro senti-me livre, senti desejos de possuir asas, já que o menino as tinha. Mas não poderia eu pedir-lhe emprestadas,
porque asas não se emprestam, apenas ensina a possuí-las.
Não perguntei em que página eu conseguiria um par de asas, não sabia nem mesmo se o menino poderia me ensinar onde encontrá-las.
Ele possuía asas. Eu o via quando alçava pequenos voos.
Asas feridas...
Como não reclamava não pude virar as páginas em busca de uma esperança para voos mais altos.
Esperança havia na caixa de Pandora - mas faltará a essa página - a essa somente, mas não em outras...
Cada página relida eu confundia o menino e o livro.
O menino tinha asas, e no livro estavam minhas asas.
E eu tinha o desejo de possuí-las.
Sentia o vento assoprar...
E ao mesmo tempo eu sabia -
vida de borboleta é curta demais -
e quem perdeu conhece o caminho que trilhou...
Conclui a página e guardei o menino de asas dentro do livro,
Uma raridade que Pandora não possuí.

...

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