Hoje escrevi um texto triste, são as marcas deixadas pela vida. Nem sempre as marcas são boas. Nem sempre vale apena ser lembradas. Mas o que seria de mim se não passasse pelo vale da sombra? O que iria eu aprender se andasse apenas em pastos verdejantes? Estaria cognitivamente estacionada. Mesmo assim, peço ao vento para assoprar para bem longe, um pouco dessa tristeza, onde não há vida. E que este vento reserve no espaço um lugar para todas as tristezas humanas; todos os rancores e odeio. E que nunca o homem consiga chegar até lá. Para que seu coração permaneça salvo desse mecanismo de destruição, pois, mesmo tirando lições de tudo que nos dói, ainda assim sobra muita dor. Uma mente sã irradia de criatividade e de felicidade, uma mente cansada apenas se deixa levar. Que este vento amigo que suavemente varre as tristezas possa aos poucos trazer a alegria, porque a vida é curta e não há tempo para reflexões negativas. Quando se vê os dias passaram e já se foi mais um aniversário. Quando se vê a vida passou e se foram todos os aniversários. E você viveu? E simplesmente respondo – não, eu não vivi porque estava presa em meus sentimentos, passei a vida limpando minha casa mental, sem se dar conta de que a vassoura que eu usava não varia tais tristezas. E a vida passou... e o vento não foi meu amigo e nem a vassoura prestou. Talvez um vento mais forte ou uma vassoura mágica pudesse ter me ajudado. Mas aprendi que não é de fora para dentro que se limpa os indesejáveis, é de dentro para fora. Com muito cuidado para não jogar ao próximo. E quando o vento passar não escolha a direção, pode ser que ele volte carregado pelo mesmo caminho. Apenas limpe e viva.

Nenhum comentário:
Postar um comentário