INSIGNIFICANTE
Talvez na vida o que julgamos insignificante pode ter importância um dia, um único dia, pra nunca mais ser útil.
Se com os objetos funcionam assim, por que com as pessoas é diferente? Ou não é diferente?
Se a vida é tão rara, porque a consideramos insignificante?
Por que guardamos coisas que achamos que vamos precisar um dia? E que nunca usamos.
Quem é o responsável de elaborar esse mecanismo em nossa mente, de que um dia isto ou aquilo me será útil?
Por que não excluo essa pessoa do meu Orkut? Por que é minha conhecida e um dia eu posso precisar dela?
A verdade é que cada vez mais nos transformamos em humanos objetos. A rotina, o cansaço, a super valorização do ego, nos torna vazios.
Vazios de nós mesmos, vazios do mundo, vazios de emoções que faz da vida um encanto. Vazios de sermos apenas corpos se encontrando no espaço do dia-a-dia.
E o encanto fica para os contos de fadas. Buscamos príncipes e princesas em papéis e palavras, quando trazemos para a realidade nos transformamos em “nosso”, e por ser nosso tratamos como queremos.
Ou quando desejamos que algo fique bem distante de nós e ele insiste em ficar perto, por algum motivo. Seja o cachorrinho do quintal ou um perdido na rua os maltratamos, porque não é uma vida é apenas um objeto.
E de julgar coisas e pessoas insignificantes acabamos por um dia nos sentindo insignificantes.
Mas há aqueles que no curto silêncio do dia, extrai a magia de transformar seres mórbidos em seres inusitados. Enxergam beleza no simples ato de viver. A eles sim, a vida se torna tão rara.
Andréia
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