Ah! Como eram lindos os seus pensamentos. Com eles você abria meu coração. Era a chave para o meu despertar. Era o casulo que me prendia e ao mesmo tempo a imensidão onde eu voava.
Era diferente...
Éramos diferentes...
O tempo era diferente...
Eu não sabia fazer leitura do seu olhar, dos seus gestos, das suas palavras contrarias, não sabia fazer se quer leitura de sua amizade...
Sua literatura não se aprende nas páginas dos livros, nas páginas do Google. Você é um livro de linhas tortas, sem meio e fim. Eu sempre estava no começo, buscando os significados de suas palavras, de suas frases mal feitas e de seus pensamentos confusos. Ora eu sentia a leveza de um poema de amor, ora sentia a ponta aguda das palavras obscuras, muito bem direcionadas.
Uma coisa era verdade, eu era uma borboleta semi-analfabeta, montando um quebra-cabeça de letras.
E você um livro mágico preso dentro de mim, cada vez que eu voltava às páginas novos textos, novos significados, novos sentimentos. Algumas em branco me davam mil significados e ao mesmo tempo nenhuma reflexão... E eu cada vez mais confusa, era meu desafio fazer a leitura completa.
Lia e relia.
As páginas foram aumentando... Mil... Dois mil... Três mil... E eu perdida sem saber qual era a primeira.
Lembro-me da capa. Como era bela! Com um pequeno detalhe que a diferenciava dos outros livros, um pequeno brilho móvel que me fascinava...
A capa em si não passava despercebida. Era onde ficava os olhos que lia-me por inteira, previa meus pensamentos e minhas ações. Talvez eu seja muito flexível. Mas a minha flexibilidade se resume num único ponto. Decifrada pela sua magia.
Feito borboleta sem asas eu caminhava virando folha por folha a fim de pegar o meu par de asas desenhadas em alguma página que só nele continha. Às vezes, eu as encontrava e conseguia voar, até onde ele permitia-me.
As folhas viravam e eu me perdia novamente e ainda perdia as minhas asas...
Hoje não estou de volta ao começo...
Você foi o meu livro preferido... perdi nas estantes da vida. A capa permanecerá intacta e os conteúdos mutantes repassados um a um com os olhos da imaginação.
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