sábado, 16 de julho de 2011

À noite

O vinho é o fio:
Do concreto ao abstrato.
Deita na taça como uma mulher a cama,
Na cor dos lábios
Que o espera por um cálice,
Que espera por um beijo quente.
No escuro, no mistério,
Na taça transparente e delicada
Que o recebe e que sente.

O vinho é O começo de um lado:
Dos segredos, dos devaneios, da insanidade,
Do mistério, do completo, do sonhado.
É o espelho de desejos e de perguntas,
É a desculpa na ausência de palavras;
Perdidas, achadas, esperadas, cortadas.
O caminho longo da fala da pupila,
Do momento aguardado, provocado.
Na sintonia invejável, na sintonia disfarçada -
No sangue que dá vida ao outro lado.

O vinho é O começo do outro lado:
Das respostas, da inocência, do aclamado,
Da busca, do silêncio e do falado.
É o cálice da quimera, do esquecido.
É o gosto do alcançado, assumido,
Presenteado e do déjà vu mortalizado.
O caminho curto dos desejos do corpo;
Do sorriso oculto, do sorriso imaginado -
Na veia que quem anseia pela noite.
Na noite, do vinho, que dá vida ao outro lado.

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