Quando era criança gostava de ver as mangas nos galhos, quanto mais maduras, mais no alto, mais belas eram. Não ousava buscá-las, a menos que eu tivesse asas. Desejei por muitas estações de mangas o par de asas.
Quando me balançava, sentia a velocidade do vento, o chão sumia, meu cabelo se despenteava e um frio na barriga anunciava que eu estava voando. Fechava os olhos e sentia-me como um pássaro. Sem medo, sem noção do tempo. Nunca ousei a soltar das mãos, mas imaginava que se eu voasse assim poderia pegar as mangas, poderia chegar às estrelas e trazê-las a meu pai, que todas as tarde deitado à calçada esperava o nascer da primeira estrela. Chamava-me para que eu a procurasse. Com meu olhar de criança, perdido na imensidão do céu ainda claro eu procurava por um brilho, quanto mais eu demorava, mais era a sua alegria. Era como se ele a possuísse e eu não.
Ainda Hoje tenho o costume de admirar as mangas, de olhar as estrelas, de observar o céu. Agora mesmo olhando pela janela vi um céu todo em casquinhas feito solo seco do sertão. Encanta-me as variações das nuvens, o céu é tão mutante quanto os desejos humano!
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