sábado, 7 de novembro de 2009

NÃO PROCURE DEMAIS, PODE SER QUE NÃO EXISTA.

Na verdade eu só queria um pouco de atenção. Não da TV ou do rádio. Mas de um sinal humano, que me dissesse: Oi Andréia. Como vai? Orkut, Msn, telefone, Celular. Serve. Apenas uma voz. Um som que me ouvisse e voltasse aos meus ouvidos ou olhos, consciência. Uma palavra que fizesse toda a diferença. Mas que palavra? Que som? Ou Quem? Nada. Tudo mudo. Não posso esperar do mundo o que ele não quer me dar, ou eu não compreendo a relação dos acontecimentos ou o mundo não aceita personalidades flexíveis.De mundo, de mudo e de tudo – não se espera nada. O silêncio é um universo pelo qual viajo em busca de sons e respostas do meu reflexo na sociedade. A sociedade é o mundo desconhecido, devorador e mutante que me amedronta e me faz refugiar em palavras, ações fora do eu. Fora do verdadeiro sentido, da verdadeira direção, da verdadeira alegria de escrever ou falar o que quero. O tudo fica só para mim. Porque para os outros é nada. Século de tamanho desenvolvimento tecnológico e de tamanha solidão. De grandes ligações humanas e grandes desprezo, arrogância, vaidade e consumismo. Nada que eu faço te interessa ou o que você faz não me interessa. Pra onde foram às vontades? Tornaram-se momentâneas ou aprisionadas em aparelhos eletrônicos? Onde está a minha vontade agora, senão de escrever neste computador ouvindo somente o som do CPU. Falsa realidade, falsa vontade, não queria estar aqui. Mas não encontrei o som ou a palavra que procuro e de tanto procurar percebi que ela existe somente em mim. Eu a produzi sons e letras e formei um universo ao qual me prendi e vivi por vários dias, anos. O que é o poder da imaginação? A procura de algo que não era nem virtual. Pior agora é ter que viver fora desse mundo que criei. Uma obra perfeita do surrealismo. Três alternativas: Continuar a procura e imaginar. Criar um novo mundo que me torne alienada. Viver a falsa realidade sem invenções da mente. Se o segredo é construir, letras, palavras, tijolos, castelos. Talvez um jardim algo diferente que não havia no primeiro mundo, borboletas, pássaros me inspiram a primavera que não está distante. Construir uma sociedade mesmo que falsa com paciência e o bom senso porque fé só se fala não se pratica. Construir outra Andréia que tivesse não o sexto sentido, mas o décimo. Construir outro alfabeto que pudesse me dar um novo som quando juntar as letras queridas. Essa seria a segunda alternativa. A primeira – continuar o encanto e ouvir o canto doce de tudo que está mentalizado, cesso a minha procura e uso a minha imaginação ou continuo a escrever... Escrever e escrever nessa falsa realidade.



OBS: Não é escrever é digitar - estamos no século XXI.

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