À minha querida alma que inquieta está.
Vai-te de galho em galho querendo repousar.
Não te aflige pequena, descanso encontrarás,
É preciso fortificar...
O galho pode ser fino e vir a quebrar.
E tu alma querida, ainda não aprendeu a voar.
De asas tão pequenas como estrelas do mar!
Vai-te sofridamente aos galhos repousar,
Não esqueça alma fumegante deste corpo carregar.
És a tua cruz, até o dia em que dele se desprenderá.
Enquanto isso alma minha não queira retornar,
Aos galhos do passado que bons frutos não há.
Alegra-te alma pulsante em seu pouco espaço viajar,
Não querias, hoje, a imensidão porque não saberás retornar.
O corpo necessita de ti para essa jornada continuar.
Alimenta-te alma mutante do que julgas te cativar,
Lembra-te da sombra maravilhosa da árvore em que está,
Recorda-te da água cristalina que lhe vem a banhar.
Acorde alma “sonhante” não queira regressar!
Ao galho de folhas secas que não te deixa levantar.
Lembra-te alma minha que nem todos os galhos convêm repousar,
Mas da árvore não deverás deixar.
Lembra-te alma minha das folhas a balançar,
Trazem um som que a ti faz alegar.
Sente alma minha a paz onde está,
Pare de voar de galho em galho procurando o que não há.
Cuide alma minha deste corpo a te acompanhar,
O chão será o seu sombrio lar.
E tu alma querida aprenderá a voar,
Pois a árvore não mais existirá.
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