A BONECA DE PANO II
Tempos depois lembrou-se da boneca.
Saudade?
Não, a vida tem dessas coisas.
Recordar.
E a boneca estava lá, sorrindo como sempre,
Sob a terra vermelha do jardim.
Estava mais velha, com a fisionomia empobrecida,
Não pelo esquecimento, isso não lhe faz diferença.
Foi o tempo que passou e levou suas cores, seu brilho...
Passastes por alí um inseto, achando graça da boneca quis brincar...
Sorriu para ela, e ao vê-la em trapos pôs-se a caminhar;
Mas de insetos a boneta não quer se aproximar.
Entre Rosas ela se viu, poderia demostrar alegria,
Senão fosse de pano.
Ouve de longe o jardineiro contar feitos sobre flores.
Quem sabe ele não lhe devolve vida!
Cultivá-la, como cultiva as Rosas!
A raridade da rosa é ser bela e fera.
Bonecas não pssuem espinhos.
_ Antes fosse bela como outrora!
A noite os pingos a umedeceu.
Saudade?
Orvalho?
Ou chuva?
...
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