... Havia uma sombra, grande, negra, tinha cheiro, cor e som da tranqüilidade.
Ao passar senti o perfume de flores comestíveis a minha alma, cheiro do alimento que nutri a imaginação.
O vento de leve balançava as folhas.
Feche os olhos.
Ouve?
São as ondas do mar.
É o som da sinapse, da lembrança...
Sente-se...
Sinto o vento lamber a minha pele, sussurrar-me segredos,
Histórias, de um tempo em que eu mesmo fui a protagonista.
O sol fazia questão de desenhar a negra nuvem no chão.
Onde tive a curiosidade de deixar uma marca.
Contornei a sombra, ansiosa pela contagem do tempo,
passa-me os segundos.
Se eu não atravessar a linha, não terei sobre mim o eclipse,
e o sol pode beliscar-me a pele.
Sigo a sombra, porque dela vem sensações novas.
Vem um caminho fresco e lento.
Sigo...
Sigo a sombra.
Até que surge a noite...
Não fique triste...
as marcas se apagam ao poucos...
Apego-me ao vento e sigo a caminhada.
Tudo é sombra, tudo é paz.
...
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