No sombrio da noite a boneca pergunta as rosas.
O que serão delas ao final, tão belas e perfumadas, sendo adoradas pelo jardineiro.
Mas as rosas...
Rosas são superiores,
Não falam, despertam desejos.
E por momentos a boneca teve inveja das rosas.
Deu pra maldizer de seus espinhos.
Espinhos sangram...
Mas por que uma boneca estaria preocupada com isso?
Sangue é vida e vida é o que ela não tem.
(A dor se manifesta no que pulsa)
Talvez um dia pensasse que teria.
Em outro lugar, em outro momento, na caixa de brinquedo,
Quem sabe? Se não fosse de pano...
O tempo se foi.
Não há rosas, nem jardineiro, a boneca também se foi.
Cumpre então o seu destino,
se decompôs em meio ao lixo que hoje se encontra.
Quem se lembra?
...
Era apenas um brinquedo substituível.
O tempo cura ou o tempo mata?
...
Nenhum comentário:
Postar um comentário