sexta-feira, 15 de abril de 2011


Se Eu Pudesse



Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...


(Alberto Ceiro, in "O Guaradador de Rebanhos -
Poema XXI". Heterônimo de Fernando Pessoa)






quinta-feira, 14 de abril de 2011

                                                         
                                             ALÉM DO QUE VÊ





O nome tu pintastes de vermelho;
Tua essência coloristes de verde.
A inteligência de Branca;
De Rosa permanecia a calma que possuía.
Azul a cor de seu mundo;
Púrpura a sombra das palavras que dizia.
A cor amarela é que te fujia.
Tua Aura colorida se desfez;
E neutra tornastes mais uma vez.





domingo, 10 de abril de 2011




As Rosas


Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.
Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.

Machado de Assis, in 'Crisálidas'


Por que ROSAS?

Merlin o feiticeiro guardião do Rei Arthur conhecia quase todos os segredos da vida. Porém o amor, sempre o amor, fugiu-lhe a compreensão. Deixou-se prender por amor, rendeu-se aos seus encantos. Nem mesmo o maior dos magos não ousou  pensar em outra fórmula para desfazer-se desta magia.

Não somos fadas, nem feticeiros, mas existe uma energia, que eu prefiro chamar de magia. Nem todos desenvolve um equilíbrio com uma outra mente, são raros pensamentos que atravessam as conecção nervosa do meu cérebro, tornando a mensagem uma porta de entrada para um outro mundo. E quando se abre as portas o que vejo são Rosas.
Mas por que Rosas?
E muitas ainda vermelhas. Qual o mistério por trás do mundo de Rosas?
Por que se apegar a Elas como se fossem de carne e espírito, como se Elas tivessem almas?
Por que descrevê-las com profunda apreciação para uma pessoa que sempre as admirou?
Por que tratá-las com imenso carinho como o pequeno príncipe?
Por que as possuí-las com tanto sentimento, como se Elas fizerem parte do passado?
Por que vejo Rosas por todos os lados , mas também sinto a ausência do amor e a presença da solidão?
Que mundo é este senão de um mago, feitceiro ou bruxo?
Não importa o nome que se dá.
Importa apenas a caminhada pelo mundo novo, curta ou longa...
O que vale é desvendar os porquês... os mistérios... os encantos...

...



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NÃO SEI O QUE


Com o passar do tempo sentimos uma falta de não sei o que.
De fazer não sei o que de ir para não sei onde.
Seria um vazio?
Ou uma vontade de mudar?
Seria a falta do que desejamos e não alçamos?
Hoje me sinto assim.
É como se eu buscasse algo, mas não sei o que,
talvez seja isso que Mario de Andrade relata em seu texto “procuro o que”.
No fundo os sentimentos humanos são iguais.
As fases da vida, o pensamento e o que sentimos não passam de ciclos.
Se algum imortal vivesse na terra poderia dizer exatamente isso;
E dizer tudo que ele observou nos humanos, nos tão simples humanos.

 
 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FECHANDO AS CORTINHAS...
UM NOVO ESPETÁCULO COMEÇARÁ.


HOJE quero saudar a minha coragem de ter transformado 2010 em dois anos.

Muito trabalho, estudo, mudanças, desavenças, separações, alegrias...
Foram lágrimas, risos, palavras que teceram cada mês do ano,
Que moldaram a minha fisionomia...
Que aceleraram os  batimentos cardíacos...
Hoje posso fazer das palavras de Vinicius as minhas;
Que de tudo ao que passei eu fui atenta,
Que vivenciei todos os vãos momentos,
E que  foram infinitos enquanto duraram...
Que venha o ano novo...


UM FELIZ 2011 A TODOS!!
Ao coração alado da noite
A quem me vi no espelho.


Estava no meu tempo?
Mas qual é o meu tempo?
Como pode coração afirmar tais palavras?
Não sei qual é o meu tempo,
as vezes , pareço não ter tempo
mas, o tempo é tudo que eu tenho,
é tudo que posso ter de concreto.
É o tempo que conto...
é o tempo que me apego...


“O aço dos meus olhos
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio
Mas deixaram suas marcas...”

(coração alado)
Minha presença


Eu era um oceano, colorido, cheio de vida e movimentos.
Me tornei um lago ainda colorido e com vidas.
Tempo depois me transformei num simples riacho com poucas vidas,
Mas ainda colorido.
Do riacho as águas foram se evaporando e as vidas morrendo.
Me tornei uma poça.
Vieram os dias de sol...
Evaporei-me formando um pequeno arco-íres.
Hoje junto as gotículas
Que cairão e foramarão um novo oceano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUANDO ME PRENDO NAS PROFUNDAS CAVERNAS DO MEU CORAÇÃO

E ME TRANFORMO EM XAMÃ.
VISUALIZO APENAS UMA IMAGEM...
QUE TRANFIGURO NAS PAREDES...
COM AS MARCAS DEIXADAS...
PARA ENTÃO...
FECHAR OS OLHOS E APRECIA-LAS.
A MAIS BELA ARTE VISUAL.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste


Carlos Drummond de Andrade