Jamais o gladiador deve odiar o coliseu, onde aprendeu a
dureza da vida. Jamais o coliseu deve odiar o gladiador, a quem adornou a
sua existência. Mas nem o gladiador e nem o coliseu podem se dizer felizes, Pois a beleza de um, era ruína do outro.
"A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que o seu mundo seja uma fantasia, sua vida um sonho,nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que 'seu mundo' é maior que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equilibrada..." (LANGER, Suzanne K.) - Filosofia e Psicologia da Arte
segunda-feira, 28 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
A metamorfose
O silêncio provocava os gritos, explosões de alegria,
Momentos de transformações, de estranhamento,
Momentos de busca de uma identidade.
Ora lagarta, rastejando por uma existência,
Ora borboleta, voando leve pelo simples gosto de estar ali.
Lagarta e borboleta têm vida curta
Nascem no silêncio, morrem no silêncio.
Eu não aprendi a ler a natureza dos homens.
Assim como os homens não aprenderam a ler o meu silêncio.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
O GRANDE TEATRO DA VIDA
O mundo é uma grande peça de teatro, os personagens mudam, trocam de papéis, os assistentes trocam de lugar com os artistas, e esse círculo vicioso não acaba nunca. Olhemos o mundo e vejamos o grande teatro que o homem ousou e ousa criar.
Na linha do tempo e no espaço do mundo se dão todas as coisas. São os dois paralelos unidos e inseparáveis, que juraram antes da existência dos seres a união perpétua e a fidelidade. E sob o consentimento de Deus, criaram os seres. E de todos os seres, o homem foi o responsável por desarmonizar o equilíbrio, até então eterno, do tempo e do espaço. E depois o homem criou seus próprios seres, suas próprias artes, sua própria vida. Enfim, o homem criou esse grande teatro que é a vida.
domingo, 28 de julho de 2013
DIA DA EMÍLIA
EMÍLIA
- Hoje eu declaro dia nacional das bonecas de pano. Mas não pode ser qualquer
boneca, tem que ser uma assim, igual a mim.
NARIZINHO
– Como assim igual a você?
EMÍLIA
– Uma boneca que fala, mas não com falinha, com fala de verdade.
NARIZINHO
– Então vai ser o seu dia. Não conheço outra boneca caipira tagarela.
EMÍLIA
– Caipira não! De pano, de pano ordinário sim senhora, mas não esqueça que sou
uma condessa de três estrelas ***. E por falar em caipira este é o seu dia. Não
é Narizinho?
Pedrinho
deu uma boa gargalhada.
NARIZINHO – É eu sou caipira com muito orgulho
senhora condessa e senhor da gargalhada. Os caipiras são bem mais conscientes
que os da cidade. E imagine se não somos mais conscientes do que os de pano! Mas
isso de comemorar é coisa dos urbanos.
EMÍLIA
– zurbanos?
NARIZINHO
– Urbanos, sua besta feita de macela.
PEDRINHO
– Os caipiras podem até ser conscientes, mas é da cidade que vem o
desenvolvimento, a cultura. Isso de comemorar os dias faz parte da nossa vida,
de nossa cultura, do nosso afeto para com o outro. No dia das mães, por
exemplo, mamãe fica muito feliz com o presente.
EMÍLIA
– Aí é que não! O dia do caipira é mais importante. Eu por exemplo não tenho
mãe. Tia Nastácia quem me fez, mas quem faz não é mãe é fazedera. E como não
tem o dia das fazederas não comemoro nada. Mas agora vou comemorar o dia do
caipira, quero ser chique como o povo da cidade. Onde se viu uma condessa sem
cultura?! Você deveria fazer o mesmo Narizinho o príncipe encantado ficaria
muito feliz em ter no reino das águas claras uma princesa caipira culta.
NARIZINHO
– Emília, a mãe é mais importante que o caipira. Não comemoro porque também não
tenho. Mas esses aí da cidade que se acham tão cultos, se esquecem dos dias das
mães ou dos pais com desculpinhas e tal, e comemoram o nosso dia, quero dizer o
dia do caipira. Mas eles gostam mesmo é da bagunça que fazem, porque de caipira
eles não têm nada, nada mesmo. Nem os trajes são caipiras. As moças vestem uns vestidos
curtos e apertados que os caipiras ficam mais caipiras ainda. E elas ficam com
cara de Barbie da roça. Se isso for cultura Pedrinho. É uma cultura vazia, tão
vazia quanto à perna de Emília no dia do assalto das macelas de ouro. Nem o dia
da mãe, nem o dia do caipira. Cá na roça é muito trabalho e pouca prosa.
PEDRINHO
– Pois eu vou continuar a comemorar o dia das mães, o dia dos pais, o dia do caipira
e o dia das bonecas de pano. Que dia vai ser Emília?
EMÍLIA
– Hoje. Dia 1° de abril. Quero que todas as crianças estejam vestidas de
Emília, e que comprem muitas Emílias e deem Emílias de presente. Se alguém,
assim de longe, de bem longe, lembrar-se do Rabicó, pode compra-lo também.
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O Cérebro X Eu
O cérebro é a máquina mais idiota que existe.
O fim do mundo chegará por meio de um grande
cérebro.
Ele possui vida, tem vontades próprias e
comanda todo o corpo.
Você já esteve num lugar onde jurou nunca
pisar?
Já falou coisas que nunca diria?
Já fez coisas que disse a você mesmo “Eu
fazendo isso?
Então, isso prova que o cérebro por mais que
você não queira ele faz, ele quer, ele segue, ele persegue.
A única receita que descobrir é...
Você tem que enganá-lo, como se engana uma
criança.
Apresentar-lhes novas sensações, novos caminhos
e tentar iludi-lo.
Se ele gostar de um novo espetáculo se
desprenderá do antigo, senão permanece a sua vontade.
Faça mil coisas, leia mil livros, converse
com mil pessoas.
Confunda bem o seu cérebro, quanto mais
informações, mais sensações, mais sinapse, menos tempo para ele fixar em uma
única coisa.
E como disse Brás Cubas “Deus te livre leitor
de um ideia fixa.”domingo, 31 de março de 2013
Sem Escolha
Quando penso em desisti, vem logo aquela sensação de cortar parte de mim, de extrair um órgão do meu corpo, e o receio de que algum sistema possa não funcionar corretamente. Isso pode ser a doença do século, não digo da moda, porque moda é algo de escolha. Eu tenho a minha, você tem a sua. Mesmo sendo contemporâneos as modas são diferentes. Agora, quando digo doença do século é algo mais grosseiro, sem margem para escolha. Esta aí a palavra onde eu queria chegar escolha. Decidir e desistir é questão de escolha. Escolhemos coisas boas o tempo todo, tentando acertar, encaixar, viver o perfeito, o pronto e acabado. Mas as coisas boas se transformam em ruins, é daí que buscamos por todos os lados se livrar delas. Se o mal aumenta, doamos um braço, uma perna, um rim, nunca o coração. Mas quando o mal infecciona a mente leva consigo o coração.
terça-feira, 26 de março de 2013
Perdi minha objetividade, era pouca, mas
confesso que era motivo de orgulho. Pus-me a procurar em Machado de Assis, para
ser mais exata no capítulo IX, Transição, de Memórias Póstumas de Brás Cubas.
A
leitura acendeu-me a inveja.
Um capítulo pequeno, não chega a vinte
linhas, cuja palavras falam, dançam, saltam, vão além, e até riem de mim.
Melhor procurar a objetividade em outro
lugar.
Veja agora com que desastre faço eu a
transição.
Talvez o ser humano é como sabão, derrete de
vagar ou torna-se duro, depende das condições que é submetido.
Penso
que estou amolecendo, vou ler José de Alencar e chorar ao final de cada romance ou pode ser que romantismo e subjetividade dure apenas uma estação, vai passar...
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