quinta-feira, 5 de maio de 2016

                                                
                                                         MEU EU DE AGORA




Gosto de admirar as estrelas, o sol, as nuvens, as chuvas, os animais, as plantas, as borboletas, mas deixo-os livres porque possui-los faria com que perdessem muito do encanto e sei que eles sempre estarão ali, pode não ser a mesma borboleta, a mesma chuva, as mesmas nuvens, mas eu também não serei a mesma o tempo todo.





                                                A TAÇA GREGA

A noite se esvaiu e eu ainda sinto o gosto não do “copo de coléra” como foi-me indicado a ler. Era mais, a quantidade era bem mais. Numa gigantesca taça fina, muito culta. De tanta cultura, ciências, a razão era o primeiro lugar. Consumi a taça tão bem ornamentada, como “O Vaso Grego” de Olavo Bilac, juntamente com seu conteúdo. O efeito durou a noite toda, a cólera não mata por completo, corrói apenas parte de minha alma. Eu ainda sinto o efeito que vai do estomago a garganta. A cólera queima na garganta consumindo todo meu pensamento, apagou todas as sensações, só vejo imagens frias. O estomago não sabe o que é a dor da fome ou da cólera, misturaram-se. Como se a fome fosse uma cólera e a cólera uma fome. Eu poderia sentir essa imensa fome, senão tivesse ingerido aos olhos a culta taça gigantesca de cólera. Maldito os olhos que nos levam a perdição, e bendito os olhos que reina sobre todos os sentidos. “Eu necessito de vós”. A taça enroscou-me a garganta, aos olhos e estomago, eram partes pequenas e num instante cresceram. Como os pés do “Abapuru” de Tarsíla. Eu só tenho essas partes do meu corpo, eu só sinto essas partes do meu corpo. Os cacos são como uma espada enfiada da boca desce a garganta e ao estomago, sem sangue, sem lágrimas, mas que sufoca. Tenho inveja de Munch que conseguiu congelar o seu “Grito” em tela e tintas. Eu não consigo na oralidade ou na escrita. A melhor maneira de lidar com a espada é decúbito dorsal onde a dor se espalha por todo o peito, sufocando menos a garganta. Talvez fosse essa cólera que fez Van gogh cortar sua orelha. Quem se importaria com a dor de uma orelha cortada quando se tem uma espada na garganta? Não temos “Girassóis”, porque o sol é raridade e nada de “Starry Satrry Night” porque a chuva se faz presente constantemente. Eu só tenho é esperar...




segunda-feira, 28 de abril de 2014



Jamais o gladiador deve odiar o coliseu, onde aprendeu a dureza da vida. Jamais o coliseu deve odiar o gladiador, a quem adornou a sua existência. Mas nem o gladiador e nem o coliseu podem se dizer felizes, Pois a beleza de um, era ruína do outro.




A Saudade – substantivo abstrato, ela existe apenas enquanto eu sinto – se eu parar de sentir, ela deixa de existir.



sábado, 29 de março de 2014

A metamorfose

O silêncio provocava os gritos, explosões de alegria,
Momentos de transformações, de estranhamento,
Momentos de busca de uma identidade.
Ora lagarta, rastejando por uma existência,
Ora borboleta, voando leve pelo simples gosto de estar ali.
Lagarta e borboleta têm vida curta
Nascem no silêncio, morrem no silêncio.


 Eu não aprendi a ler a natureza dos homens.

Assim como os homens não aprenderam a ler o meu silêncio.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O GRANDE TEATRO DA VIDA



O mundo é uma grande peça de teatro, os personagens mudam, trocam de papéis, os assistentes trocam de lugar com os artistas, e esse círculo vicioso não acaba nunca. Olhemos o mundo e vejamos o grande teatro que o homem ousou e ousa criar.
Na linha do tempo e no espaço do mundo se dão todas as coisas. São os dois paralelos unidos e inseparáveis, que juraram antes da existência dos seres a união perpétua e a fidelidade. E sob o consentimento de Deus, criaram os seres. E de todos os seres, o homem foi o responsável por desarmonizar o equilíbrio, até então eterno, do tempo e do espaço. E depois o homem criou seus próprios seres, suas próprias artes, sua própria vida. Enfim, o homem criou esse grande teatro que é a vida.


Filipe

domingo, 28 de julho de 2013

DIA DA EMÍLIA



EMÍLIA - Hoje eu declaro dia nacional das bonecas de pano. Mas não pode ser qualquer boneca, tem que ser uma assim, igual a mim.

NARIZINHO – Como assim igual a você?

EMÍLIA – Uma boneca que fala, mas não com falinha, com fala de verdade.

NARIZINHO – Então vai ser o seu dia. Não conheço outra boneca caipira tagarela.

EMÍLIA – Caipira não! De pano, de pano ordinário sim senhora, mas não esqueça que sou uma condessa de três estrelas ***. E por falar em caipira este é o seu dia. Não é Narizinho?

Pedrinho deu uma boa gargalhada.

 NARIZINHO – É eu sou caipira com muito orgulho senhora condessa e senhor da gargalhada. Os caipiras são bem mais conscientes que os da cidade. E imagine se não somos mais conscientes do que os de pano! Mas isso de comemorar é coisa dos urbanos.

EMÍLIA – zurbanos?

NARIZINHO – Urbanos, sua besta feita de macela.

PEDRINHO – Os caipiras podem até ser conscientes, mas é da cidade que vem o desenvolvimento, a cultura. Isso de comemorar os dias faz parte da nossa vida, de nossa cultura, do nosso afeto para com o outro. No dia das mães, por exemplo, mamãe fica muito feliz com o presente.

EMÍLIA – Aí é que não! O dia do caipira é mais importante. Eu por exemplo não tenho mãe. Tia Nastácia quem me fez, mas quem faz não é mãe é fazedera. E como não tem o dia das fazederas não comemoro nada. Mas agora vou comemorar o dia do caipira, quero ser chique como o povo da cidade. Onde se viu uma condessa sem cultura?! Você deveria fazer o mesmo Narizinho o príncipe encantado ficaria muito feliz em ter no reino das águas claras uma princesa caipira culta.

NARIZINHO – Emília, a mãe é mais importante que o caipira. Não comemoro porque também não tenho. Mas esses aí da cidade que se acham tão cultos, se esquecem dos dias das mães ou dos pais com desculpinhas e tal, e comemoram o nosso dia, quero dizer o dia do caipira. Mas eles gostam mesmo é da bagunça que fazem, porque de caipira eles não têm nada, nada mesmo. Nem os trajes são caipiras. As moças vestem uns vestidos curtos e apertados que os caipiras ficam mais caipiras ainda. E elas ficam com cara de Barbie da roça. Se isso for cultura Pedrinho. É uma cultura vazia, tão vazia quanto à perna de Emília no dia do assalto das macelas de ouro. Nem o dia da mãe, nem o dia do caipira. Cá na roça é muito trabalho e pouca prosa.

PEDRINHO – Pois eu vou continuar a comemorar o dia das mães, o dia dos pais, o dia do caipira e o dia das bonecas de pano. Que dia vai ser Emília?

EMÍLIA – Hoje. Dia 1° de abril. Quero que todas as crianças estejam vestidas de Emília, e que comprem muitas Emílias e deem Emílias de presente. Se alguém, assim de longe, de bem  longe, lembrar-se do Rabicó, pode compra-lo também.




terça-feira, 4 de junho de 2013


As pessoas se vão e ficam os seus “espíritos”,
não somos capazes de fazer um recomeço,
Sempre pegamos carona nos “espíritos” que ficam.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Cérebro X Eu


O cérebro é a máquina mais idiota que existe.
O fim do mundo chegará por meio de um grande cérebro.
Ele possui vida, tem vontades próprias e comanda todo o corpo.
Você já esteve num lugar onde jurou nunca pisar?
Já falou coisas que nunca diria?
Já fez coisas que disse a você mesmo “Eu fazendo isso?
Então, isso prova que o cérebro por mais que você não queira ele faz, ele quer, ele segue, ele persegue.
A única receita que descobrir é...
Você tem que enganá-lo, como se engana uma criança.
Apresentar-lhes novas sensações, novos caminhos e tentar iludi-lo.
Se ele gostar de um novo espetáculo se desprenderá do antigo, senão permanece a sua vontade.
Faça mil coisas, leia mil livros, converse com mil pessoas.
Confunda bem o seu cérebro, quanto mais informações, mais sensações, mais sinapse, menos tempo para ele fixar em uma única coisa.
E como disse Brás Cubas “Deus te livre leitor de um ideia fixa.”




O mundo tem cheiro de vida.