quinta-feira, 19 de novembro de 2009















INGÊNUA OU MÁ?


Certo dia observei umas crianças a brincar.
Duas pra ser mais exata.
Uma pequena que sabia contar até 10.
Outra maior.
A pequena disse:
_ vamos brincar?
_ vamos?
_ Eu conto.
_ Ta bom, conta aí.
E foram brincar de esconde-esconde.
A pequena então contava.
_ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_ Ainda não
_ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_ Ainda não
_ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_Ainda não
_ Vai se esconder. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Já pode ir?
_ não
_1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_ Ainda não
_ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_ Ainda não.
_ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Pronto?
_ Ainda não.
A pequena então disse:
_ Você tem que se esconder.
A maior responde:
_ É que eu não estou brincando mais.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Espelhos quebrados refletem imagens duplas.
Para saber a verdadeira imagem feche os olhos,
Se te cansa não a procure,
Ignore.
Como é nobre a arte de ignorar!



10/11/2009

sábado, 7 de novembro de 2009

NÃO PROCURE DEMAIS, PODE SER QUE NÃO EXISTA.

Na verdade eu só queria um pouco de atenção. Não da TV ou do rádio. Mas de um sinal humano, que me dissesse: Oi Andréia. Como vai? Orkut, Msn, telefone, Celular. Serve. Apenas uma voz. Um som que me ouvisse e voltasse aos meus ouvidos ou olhos, consciência. Uma palavra que fizesse toda a diferença. Mas que palavra? Que som? Ou Quem? Nada. Tudo mudo. Não posso esperar do mundo o que ele não quer me dar, ou eu não compreendo a relação dos acontecimentos ou o mundo não aceita personalidades flexíveis.De mundo, de mudo e de tudo – não se espera nada. O silêncio é um universo pelo qual viajo em busca de sons e respostas do meu reflexo na sociedade. A sociedade é o mundo desconhecido, devorador e mutante que me amedronta e me faz refugiar em palavras, ações fora do eu. Fora do verdadeiro sentido, da verdadeira direção, da verdadeira alegria de escrever ou falar o que quero. O tudo fica só para mim. Porque para os outros é nada. Século de tamanho desenvolvimento tecnológico e de tamanha solidão. De grandes ligações humanas e grandes desprezo, arrogância, vaidade e consumismo. Nada que eu faço te interessa ou o que você faz não me interessa. Pra onde foram às vontades? Tornaram-se momentâneas ou aprisionadas em aparelhos eletrônicos? Onde está a minha vontade agora, senão de escrever neste computador ouvindo somente o som do CPU. Falsa realidade, falsa vontade, não queria estar aqui. Mas não encontrei o som ou a palavra que procuro e de tanto procurar percebi que ela existe somente em mim. Eu a produzi sons e letras e formei um universo ao qual me prendi e vivi por vários dias, anos. O que é o poder da imaginação? A procura de algo que não era nem virtual. Pior agora é ter que viver fora desse mundo que criei. Uma obra perfeita do surrealismo. Três alternativas: Continuar a procura e imaginar. Criar um novo mundo que me torne alienada. Viver a falsa realidade sem invenções da mente. Se o segredo é construir, letras, palavras, tijolos, castelos. Talvez um jardim algo diferente que não havia no primeiro mundo, borboletas, pássaros me inspiram a primavera que não está distante. Construir uma sociedade mesmo que falsa com paciência e o bom senso porque fé só se fala não se pratica. Construir outra Andréia que tivesse não o sexto sentido, mas o décimo. Construir outro alfabeto que pudesse me dar um novo som quando juntar as letras queridas. Essa seria a segunda alternativa. A primeira – continuar o encanto e ouvir o canto doce de tudo que está mentalizado, cesso a minha procura e uso a minha imaginação ou continuo a escrever... Escrever e escrever nessa falsa realidade.



OBS: Não é escrever é digitar - estamos no século XXI.


O ENCONTRO DA AURORA E O CREPÚSCULO

De onde se começa cada manhã?
Imagino que seja da vontade de viver... Da vontade de amar... Perdoar e ser perdoado.
Mas vontades nem sempre são sinceras,... Devido à falta de luz interior, muitas vezes até o sol se torna pálido...
Acredito que seja por isso que muitos não vêem a manhã nascer.
E quantas manhãs nós já perdemos em nossas vidas... Pois, sempre esperamos o crepúsculo, posto que para se contemplar a aurora necessita de um breve descanso e muita vontade... Tentamos compensar o fim, naquilo que pecamos no início...
Por isso que sempre acordo e penso: mais um dia.
Imagino o quanto poderia ter vivido antes do momento em que me vejo... Diante de tanta lamúria o que farei eu, taciturno diante de cada crepúsculo? Os meus pensamentos não me deixam em paz... Meu passado agarra a mim... E me sufoca...
Então penso... Quem sou eu? Passado ou presente? E chego à conclusão que sou mais um dos que não vê o início da manhã... Sou mais um dos que dorme a sombra... Esperando o despertar de um sono profundo...
Mas cada manhã está nos olhos de quem a vê... E gosto dos meus sonhos... Pesadelos. De meus momentos de confusão... Eles me fortalecem para as batalhas...
Por isso, que esses pensamentos não me deixam, porque também não os deixo. Agarramos-nos um ao outro como dois amantes.
E sempre volto a me perguntar: De onde começa cada manhã?
Da aurora que custo a ver? Ou da décima hora do dia que anima meu corpo? Há dias em que são tantas nuvens que pouco compreendo de onde estou começando... Mas nunca me esqueço da tarde... Pois ali me encontro com tudo aquilo que queria e não queria encontrar novamente...
O que gostaria de encontrar na próxima aurora?
O meu “EU” - Fugindo de mim e tentando me encontrar... Gostaria de poder encontrar-me... Mas são momentos como esses que desejo fugir... Mas sempre há o encontro da Aurora e do Crepúsculo de MIM e do EU.

Andréia e Nelson

Texto confúso ,, mas o que valeu foi o divertimento.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

QUERIA SER

Queria ser a bela Aurélia de Alencar;
Queria ter a coragem de Iracema;
Queria ter a santidade de Ceci;
Queria ver junto com Garret a casa de Luisinha,
ver seus avós sentados a porta;
Queria encontrar Macunaíma nas ruas de São Paulo sem consciência;
Queria contar à viuvinha que as cartas eram escritas pelo seu marido;
Queria estar na Taverna contando minhas histórias de amor;
Queria ver em pessoa Leonardo-Pacata com a farda de sargento;
Queria poder espantar O Corvo de Edgar e ressuscitar Lenora;
Queria achatar os vermes que roeram a fria carne de Brás Cubas,
e tornar a história mais romântica.
Queria ver olho a olho, cara a cara, Capitu, Bentinho e Escobar,
só pra saber quem está mentindo.
Queria poder assassinar O TIGRE de William Blake, quando ele ainda
estava no forno.
Queria ouvir Carlos dizer para Guida - “Quero que vivas, por mim";
Queria poder dizer ao Capitão Rodrigo que ele tinha que ser mais homem do que valente.
Queria poder apagar o fogo da paixão que levou Manuel Barbosa;
Queria poder contar ao Romeu que Julieta só está dormindo, que
logo ela vai acordar para ficar em seus braços pra sempre.
Queria...
Queria...
Queria...
Bem vou ficar querendo, isso tudo é fruto da minha imaginação,
da literatura que floresce no meu ser e transforma o meu EU.

08 de abril de 2008 Terça - feira às 23h: 45min.

Muitos dormiam um sono profundo, daqueles que foge totalmente da realidade, sem vestígio de mundo. Não digo que era o reino do silêncio, porque hospitais também quebram as regras, e vozes são ouvidas do corredor. E logo cessam. E os que não dormem, pensam, enquanto eu escrevo. Escrevo no escuro, não sigo as linhas, mal vejo os meus traços negros na brancura do papel. Ah! Neste momento me lembro de Brás Cubas, que escreveu com a tinta da melancolia lá do outro lado da vida. Curioso isso vir na minha memória agora. É pela solidão e a escuridão, faz lembrar-me coisas estranhas, mundo do além. Não que eu tenha medo, até gosto.Surgiu então uma voz suave ao corredor. Que me fez uma pergunta. Não era Pandora, porque eu não estava delirando. Adoro gatos. Até tenho um preto, só para quebrar a superstição de que só bruxas possuem gatos pretos e também pra ficar diferente do Sultão, num sei por que, mas penso que ele era branco. Quando na verdade deveria ser cor de hipopótamo ou não. Vai saber. Confiar em um defunto escritor, e depois num delírio é pedir muito. Mas pense. Como pode um homem frio, gostar de gatos? Que é um animal tão meigo.A voz era de um jovem, tinha lá seus 32 anos, que procurava por alguém, mas não sabia em que quarto estava. Mas queria vê-la._ A Mariana está aqui?Perguntou-me de pé à porta. Vigília também deu essa parada antes de entrar na alcova de Cubas. Bem, foram movidos pelo mesmo sentimento, mesma culpa. Mas antes que eu respondesse a jovem da cama ao lado disse:_ Sou eu._ Eu vim te ver. Fiquei sabendo que você estava aqui._ Quem te contou?_ Minha irmã._ Como entrou aqui?_ Marquei uma consulta só pra te ver._ você é louco!_ Como que foi isso?_ Ah! O motorista foi desviar do outro carro e me atropelou em frente ao colégio._ Está doendo?_ Não me dói nada.Eu apenas ouvia uma voz doce e ora sussurros... Enquanto sussurrava eu fingia escrever e quando falava eu redigia. Porque não é coisa que se vê todos os dias, aliás, primeira vez que vi. Mas eu não estava lá para escrever. Eu era acompanhante da enferma da cama ao lado, que dormia há horas.Então ele sentou-se aos pés da cama. E ela se aproximou mais. Um momento intenso. Pensei em retirar-me. Senti-me num mundo estranho novamente, um mundo diferente do primeiro de Brás Cubas. Nossa mente é constituída de mundos cada qual com a sua chave que são as situações do presente. Não deu tempo de me decidir. O segurança do hospital apareceu à porta. Num tom de voz alto que me fez voltar à realidade. Acendeu a luz e me perguntou:_ Cadê o moço que estava aqui?Minhas vistas se perderam no clarão e eu não disse nada. E ele voltou a perguntar. Eu abaixei a cabeça e continuei a escrever.Mariana então respondeu:_ Ele já foi.Desconfiado o segurança resolveu entrar no quarto e procurar pelo moço. Nem procurou nada, ao primeiro passo já o avistou atrás da porta._ Que isso amigo? O horário de visita acabou. Vamos você não pode ficar aqui._ Eu sei._ Então vamos que isso já está virando bagunça.E o segurança pegou o homem pelo braço e saíram. Mariana nada disse e eu escrevendo.O silêncio tomou conta. Mas desta vez ele incomodava. E eu o quebrei com uma pergunta._ O que é o Amor?_ Amiga! Ele é louco._ Então o Amor é a própria loucura._ Se é. Você nem imagina que loucura ele fez._ Todos nós estamos sujeitos a isso._ É que você não é dessas. Você não entendi._ Eu entendi o que você quis dizer._ Não, você não entendeu. Eu sou casada. Paulo foi meu namorado há seis anos. Separamos. Casei-me com outro. Mas não conseguimos ficar separados. Meu marido Nem imagina..._ Eu entendo.Ele nem imagina... Ou nem ela? Quem garante que o marido não saiba? E que espera um momento propício para acordá-la? Ou que se espelha na moeda pra continuar vivendo pensando ser um caminho sem maiores complicações. O que não é difícil encontrar nesse século. Porque para unir é mais fácil que para desatar, às vezes, envolve terceiros ou situações previstas. O confortável é continuar. É fazer vista grossa. Termo muito bem usado na área da educação...A frase de Mariana “é que você não é dessas” ficou na minha memória até que eu pudesse dissecá-la, na linguística seria estudar os arranjos e combinações e verdadeiramente é uma ótima construção. Mas que não se enquadra no meu perfil. Não que eu seja daquelas e nem dessas. Eu sou eu mesma...Mariana não era nenhuma Marcela isso eu posso afirmar. Vigília talvez. Mas não vem ao caso julgá-la.O silêncio tomou conta novamente. Mariana se perdeu nos seus pensamentos e eu na minha escrita. Não tinha nenhuma ideia fixa, ainda bem. Quero viver mais alguns anos.Eu escrevia da minha concepção de mundo e sobre Literatura. Tive tempo até de pensar nos meus amigos do MSN... Cada qual com sua personalidade, seu modo de expressar a Língua- Portuguesa. Umas palavras que até assusta-me, de tão ridículas... Pareciam vim de outra dimensão. Pensava em Paulo. No que se diz amor. O meu está num lugar ensolarado em baixo de uma árvore próximo ao riacho... Dorme tranquilamente.De repente meu celular. Mas quem será as 04h: 15 min.? Quem sabe que eu estou acordada há essas horas? Essa mudança rápida de um assunto para o outro faz lembrar-me da transição - da morte ao nascimento. Eu ainda não aprendi essa arte. Se bem que de onde estou não foge disso. Hospital lembra doença. Doença lembra morte. E a mensagem que recebi lembra hospital. Mas remete a vida. Era minha irmã dizendo que acabará de nascer minha nova sobrinha. Que excelente é a tecnologia. No lugar do Emplasto Brás Cubas deveria ter pensado em celular, aí quem sabe ele nem precisaria escrever suas memórias era só dá uma ligadinha. Veja. Minha irmã em outro estado brasileiro, muito distante de onde eu estava me contemplou com uma notícia dessas, em outras épocas já sabe o que aconteceria, dias e dias pra ser informada.A essa altura Mariana ativou o ID, está no sono REM, gravando no disco rígido do seu cérebro a visita e as palavras de amor que ouviu. E eu fico aqui a observar a minha enferma, que de vez enquando se mexe...
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