domingo, 29 de agosto de 2010

LEMBRO-ME DA ÁGUA. EM CONJUNTO COM OS FALSOS OLHOS, COM A EMOÇÃO DO VER E COM A ANSIEDADE DA ESPERA. LEMBRO-ME DOS MOVIMENTOS. DA RUPTURA DA ÁGUA. DO GESTO CALMO A TRAZÊ-LA DE VOLTA. VISUALIZO O ESPAÇO, PRESA AOS MOVIMENTOS DE VAI E VEM. MINUTOS TÃO PRESENTE QUE OUTRO PERESENTE NÃO PAGARIA. CESSA A ÁGUA, ESTENDE-SE A TOALHA...

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FALTOU-ME APENAS UMA PALAVRA. TALVEZ EU A EVITASSE POR MUITO TEMPO. INCAPAZ DE ACEITTÁ-LA OU NÃO QUERENDO ACEITÁ-LA, POIS MESMO NÃO DITA. ELA ESTAVA LÁ. ERA SÓ EU ACREDITAR.
ELA FEZ TODA A DIFERENÇA, MAS EU NÃO QUERIA LÊ-LA.  NÃO QUERIA VÊ-LA. NÃO QUERIA SABER DO SEU SIGNIFICADO. E ELA ME OLHAVA E ME ESPERAVA PARA RECEBÊ-LA.  E EU A IGNORAVA. MAS ELA FOI INSISTENTE E INTENSIFICOU O SEU BRILHO, CRESCEU A PONTO DE SER VISÍVEL MESMO A DISTÂNCIA. ENTÃO PUDE LÊ-LA. CANSEI.

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(...) DEIXE MORRER O QUE MAIS ME TORNA VIVA.
DEIXE MORRER LENTAMENTE, PARA QUE NÃO LEVAS A MINHA VIDA.
DEIXE MORRER O QUE FUI E O QUE HÁ DE SER.
INTERROMPE, CORTA, RASGA.
SEPARA CADA PARTE VIVA, CADA PARTE LIDA, CADA PARTE ESQUECIDA.
E QUE SE JUNTE A UM LIVRO FECHADO, EMPOEIRADO, ABANDONADO.


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DE VOLTA AO MEU MUNDO. REFLITO SOBRE A VIAGEM QUE FIZ. EM MUNDOS DISTANTES, ALEGRES E ACOLHEDORES. QUE ME FEZ SENTIR UMA PRINCESA. E EM MUNDOS ESCUROS E SOLITÁRIOS QUE FEZ RENASCER EM MIM A BRUXA QUE SOU...
MAS É EM MUNDOS TÃO PEQUENOS QUE EU ME ENCONTRO, E ME ESCONDO...


ANDRÉIA

sábado, 28 de agosto de 2010

A mais linda flor

Anos atrás o vento me trouxe uma sementinha.
Todos os dias eu ia vê-la.
Como o pequeno príncipe cuidava de sua rosa orgulhosa eu cuidava de minha flor, tão sensível quanto à rosa do B612. Não era uma flor comum, merecia toda atenção. Ela não sentia frio. Sentia solidão. E eu tentava fazer lhe companhia. Ou quando ela se revoltava com suas raízes fixas. Eu estava lá para dizer que mesmo não viajando, por não ter asas para conhecer o mundo, ela era importante. Ou quando não extraia o nutriente que ela desejava. Eu estava lá para lembrá-la que nem por isso deixava de ser bela.
A plantinha crescia dia após dia e mais bela ficava.
Ao olhar o jardim facilmente eu a distinguia das outras pétalas de flores, às vezes, fingia que não a via, mas sabia que ela estava lá. Sentia sua presença, sentia seu perfume... Eu tinha medo que ela pudesse morrer, mas sabia que um dia ela morreria. Então eu dizia a ela que um dia eu iria partir. Sabia eu que quem partiria primeiro seria ela. Mas, eu dizia isso por medo de perdê-la, para que ela ficasse comigo, assim não morreria tão cedo. Eu tinha um tempo a mais para contemplá-la.
Minha planta cresceu, a flor poderia a qualquer momento dá lugar a um fruto. E eu esperava por esse momento, imaginando o futuro.
Uma bela flor...
Mas Ela...
Não sentiu a minha presença,
Não ouviu a minha voz,
Não se lembra de mim.
Minha flor era invisível, só eu a tinha...
E como eu havia previsto, ela se foi...
Sentes o perfume dela?


Andréia

sábado, 21 de agosto de 2010

INSIGNIFICANTE

Talvez na vida o que julgamos insignificante pode ter importância um dia, um único dia, pra nunca mais ser útil.
Se com os objetos funcionam assim, por que com as pessoas é diferente? Ou não é diferente?
Se a vida é tão rara, porque a consideramos insignificante?
Por que guardamos coisas que achamos que vamos precisar um dia? E que nunca usamos.
Quem é o responsável de elaborar esse mecanismo em nossa mente, de que um dia isto ou aquilo me será útil?
Por que não excluo essa pessoa do meu Orkut? Por que é minha conhecida e um dia eu posso precisar dela?

A verdade é que cada vez mais nos transformamos em humanos objetos. A rotina, o cansaço, a super valorização do ego, nos torna vazios.

Vazios de nós mesmos, vazios do mundo, vazios de emoções que faz da vida um encanto. Vazios de sermos apenas corpos se encontrando no espaço do dia-a-dia.

E o encanto fica para os contos de fadas. Buscamos príncipes e princesas em papéis e palavras, quando trazemos para a realidade nos transformamos em “nosso”, e por ser nosso tratamos como queremos.

Ou quando desejamos que algo fique bem distante de nós e ele insiste em ficar perto, por algum motivo. Seja o cachorrinho do quintal ou um perdido na rua os maltratamos, porque não é uma vida é apenas um objeto.

E de julgar coisas e pessoas insignificantes acabamos por um dia nos sentindo insignificantes.

Mas há aqueles que no curto silêncio do dia, extrai a magia de transformar seres mórbidos em seres inusitados. Enxergam beleza no simples ato de viver. A eles sim, a vida se torna tão rara.




Andréia
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada.”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A_VIDA É UMA ARTE

“A cada amanhecer o artista desperta do seu sono.”

Ao levantar-se põe sua primeira máscara, e diz bom dia a esposa. Começa mais um dia. E ele precisa conservar o seu palco, atualizar as suas expressões. Antes de sair às ruas troca pela segunda vez a sua máscara, pois, a sociedade não conhece o artista que a esposa tem em casa...
Este inventor de sonhos e realidade necessita da família para sentir-se amado. E necessita do amor para continuar a encenar.
Ele cumprimenta pessoas, umas mais chegadas e outras mais distantes. A cada uma a mesma expressão corporal...
Atravessa ruas, e mais ruas...
Enfim, o local do trabalho.
Antes de entrar em cena o artista troca pela terceira vez a sua máscara.
Mais um palco do realismo dentro do surrealismo.
Agora é com seriedade e responsabilidade que o artista desempenha o seu papel. A sua existência real-quimérica faz com que necessite do trabalho para sentir-se dono de sua própria peça.
Ao final do dia com a chegada do cansaço, ele podê mostrar parte do seu fabuloso espetáculo a uma pequena plateia que teciam seus espetáculos ao dele.
De volta pra casa o artista troca de máscara pela quarta vez, precisa estudar.
Ele necessita do estudo para continuar a moldar as suas personas. Pois, sem elas a sociedade não assistirá aos seus espetáculos.
É noite, e o artista está caindo de sono. Neste frio de julho, resolve recolher-se.
Lentamente ele tira a sua máscara diz boa noite à esposa, vira para o lado e começa a refletir em todas as suas encenações.
Agora sem máscara conseguimos enxergar o coração do artista, que sufocado entre disfarces, trabalho e estudo não notamos os seus sentimentos, apenas o seu vai e vem...
Apagam-se as luzes e fecham-se as cortinas.

- Eu não sou um artista morto e tenho plena consciência de que você também não é um artista-espectador totalmente vivo. Quando desejar colocar uma máscara que seja uma que traduz a face do seu coração, assim será você mesmo. Procure repousar longe de todos os que encenam ao seu lado. E reconstrua os pilares de sustentação do seu palco.

Somos todos artistas. Com todos os olhares e com todos os sentimentos.


Andréia

sábado, 7 de agosto de 2010

Rui Barbosa


“Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.

Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.

Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:

- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndido da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:

- Doutor, eu levo ou deixo os patos?

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Parece eu lendo as poesias Felipianas. Eu penso, comento ou não comento?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...


Vinicius de Moraes

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Soneto do Amor Demais


Não, já não amo mais os passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.

Não amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.

Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada

E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.

Vinícius de Moraes

sábado, 31 de julho de 2010

"Orgulho é quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros que é um elefante..."

domingo, 20 de junho de 2010



Hoje escrevi um texto triste, são as marcas deixadas pela vida. Nem sempre as marcas são boas. Nem sempre vale apena ser lembradas. Mas o que seria de mim se não passasse pelo vale da sombra? O que iria eu aprender se andasse apenas em pastos verdejantes? Estaria cognitivamente estacionada. Mesmo assim, peço ao vento para assoprar para bem longe, um pouco dessa tristeza, onde não há vida. E que este vento reserve no espaço um lugar para todas as tristezas humanas; todos os rancores e odeio. E que nunca o homem consiga chegar até lá. Para que seu coração permaneça salvo desse mecanismo de destruição, pois, mesmo tirando lições de tudo que nos dói, ainda assim sobra muita dor. Uma mente sã irradia de criatividade e de felicidade, uma mente cansada apenas se deixa levar. Que este vento amigo que suavemente varre as tristezas possa aos poucos trazer a alegria, porque a vida é curta e não há tempo para reflexões negativas. Quando se vê os dias passaram e já se foi mais um aniversário. Quando se vê a vida passou e se foram todos os aniversários. E você viveu? E simplesmente respondo – não, eu não vivi porque estava presa em meus sentimentos, passei a vida limpando minha casa mental, sem se dar conta de que a vassoura que eu usava não varia tais tristezas. E a vida passou... e o vento não foi meu amigo e nem a vassoura prestou. Talvez um vento mais forte ou uma vassoura mágica pudesse ter me ajudado. Mas aprendi que não é de fora para dentro que se limpa os indesejáveis, é de dentro para fora. Com muito cuidado para não jogar ao próximo. E quando o vento passar não escolha a direção, pode ser que ele volte carregado pelo mesmo caminho. Apenas limpe e viva.