quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NÃO SEI O QUE


Com o passar do tempo sentimos uma falta de não sei o que.
De fazer não sei o que de ir para não sei onde.
Seria um vazio?
Ou uma vontade de mudar?
Seria a falta do que desejamos e não alçamos?
Hoje me sinto assim.
É como se eu buscasse algo, mas não sei o que,
talvez seja isso que Mario de Andrade relata em seu texto “procuro o que”.
No fundo os sentimentos humanos são iguais.
As fases da vida, o pensamento e o que sentimos não passam de ciclos.
Se algum imortal vivesse na terra poderia dizer exatamente isso;
E dizer tudo que ele observou nos humanos, nos tão simples humanos.

 
 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FECHANDO AS CORTINHAS...
UM NOVO ESPETÁCULO COMEÇARÁ.


HOJE quero saudar a minha coragem de ter transformado 2010 em dois anos.

Muito trabalho, estudo, mudanças, desavenças, separações, alegrias...
Foram lágrimas, risos, palavras que teceram cada mês do ano,
Que moldaram a minha fisionomia...
Que aceleraram os  batimentos cardíacos...
Hoje posso fazer das palavras de Vinicius as minhas;
Que de tudo ao que passei eu fui atenta,
Que vivenciei todos os vãos momentos,
E que  foram infinitos enquanto duraram...
Que venha o ano novo...


UM FELIZ 2011 A TODOS!!
Ao coração alado da noite
A quem me vi no espelho.


Estava no meu tempo?
Mas qual é o meu tempo?
Como pode coração afirmar tais palavras?
Não sei qual é o meu tempo,
as vezes , pareço não ter tempo
mas, o tempo é tudo que eu tenho,
é tudo que posso ter de concreto.
É o tempo que conto...
é o tempo que me apego...


“O aço dos meus olhos
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio
Mas deixaram suas marcas...”

(coração alado)
Minha presença


Eu era um oceano, colorido, cheio de vida e movimentos.
Me tornei um lago ainda colorido e com vidas.
Tempo depois me transformei num simples riacho com poucas vidas,
Mas ainda colorido.
Do riacho as águas foram se evaporando e as vidas morrendo.
Me tornei uma poça.
Vieram os dias de sol...
Evaporei-me formando um pequeno arco-íres.
Hoje junto as gotículas
Que cairão e foramarão um novo oceano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUANDO ME PRENDO NAS PROFUNDAS CAVERNAS DO MEU CORAÇÃO

E ME TRANFORMO EM XAMÃ.
VISUALIZO APENAS UMA IMAGEM...
QUE TRANFIGURO NAS PAREDES...
COM AS MARCAS DEIXADAS...
PARA ENTÃO...
FECHAR OS OLHOS E APRECIA-LAS.
A MAIS BELA ARTE VISUAL.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste


Carlos Drummond de Andrade


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

                                          REFLEXÃO



A palavra REFLEXÃO vem do latim "reflectire" que significa "voltar atrás". É, pois um (re)pensar, ou seja, um pensamento em segundo grau. (...) Refletir é o ato de retomar, considerar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significados. É examinar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E isto é filosofar.


SAVIANI (1987, pág. 23).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

                 VIVENDO O PRESENTE SEM OBJETIVO



Às vezes me canso.
Penso em não remar contra a maré.
Penso em distribuir sorrisinhos e abraços a todos.
Ora! Não é isso que fazem comigo?
De sorriso em sorriso, de abraço em abraço serei o que chamam de “legal”.
É só seguir mansamente a direção das águas, sem questionar, sem criticar, sem observar.
É só aceitar e pronto já sou legal.
E o tempo?
Ah! O tempo agente esquece, o importante é ouvir o outro contar as belas façanhas, não posso me esquecer do sorriso é claro.
E se tiver alguém esperando?
Ora essa! Que espere.
Primeiro eu depois os outros.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

                                A BORBOLETA PRETA
 



A borboleta passando pela janela entrou num quarto onde havia um homem.


_ Que sublime ser!
Não é mesmo borboleta?
 Pode nos deixar feliz, infeliz e até nos tirar a vida.
Mas é belo.
E encantamos com ele, você e eu...
Talvez não tivéssemos o mesmo destino...Ou parecido...
 Eu posso sentir a alegria que você sentiu ao esvoaçar em torno do homem que estava no quarto, posso ver seus olhos a analisá-lo, admirando e examinando cada parte de seu corpo.

_Viu  aquela pinta nas costas dele? Chamou-me atenção porque não vi nenhuma além daquela.

Você gostou dos olhos?

_Lindos olhos pretos! São olhos de tigres brilhando na escuridão. Por trás do brilho uma história de caça, de conquista e sobrevivência.

Por aprender a lutar pela sobrevivência se tornam homens frios incapazes de responder a um gesto de carinho. E tu borboleta tão meiga a ponto de se aproximar e dispor de todo a sua história diante do homem, num simples beijo.
Não borboleta, você errou...
Ao adquirir inteligência muitos petrificam o coração, e o que você fez, para ele, foi apenas incomodá-lo. Você é apenas uma simples borboleta “negra como noite”. Você não tem brilho e beleza feito às outras.
Não temos,  você e eu.
Observe de longe a inteligência de um homem antes de se aproximar... Pode ser que a sua visão de mundo seja tão grande que ele a reduz numa vida inútil. Atribuir valores é uma forte característica humana. Andam em bandos segundo seus valores, mas mudam de bando conforme mudam de valores.
Seu erro  lhe custou à vida, não pelo seu gesto de amor, mas pela sua insistência de permanecer no quarto. Não viu que sua presença o incomodava? Não notou a fisionomia do homem que não tinha nada a lhe oferecer, apenas te expulsar?

_Pobre borboleta!
Que motivo terias tu de permanecer ali, senão amor.
Quantas outras borboletas cegas de amores, sofrendo, sem pernas, de asas quebradas ou sem asas, permanecem até a morte?
Não, eu não escolhi o mesmo destino que você, minha insistência não pode custar-me a vida.
Não serei teimosa...
Os homens são seres úteis, agradáveis e controladores.
Controlar é a aflição do século XXI, pessoas, informações, máquinas, objetos, comida, poder, sentimentos, desejos...
De todos o que não se controla por muito tempo é o desejo. Podem sufocá-los, mas eles sempre estarão vivos, grudados em seu ser como um parasita e aos poucos definem a pessoa que você é. Foi o que te matou, morreu pelo desejo de permanecer.

_Eu te entendo pequeno ser.
Era outro mundo, com brilho, vida e inteligência.
A inteligência foi o que mais te prendeu ali.
Eu sei que o seu desejo de permanecer era para se deleitar na inteligência do homem.
Era para mergulhar no subconsciente, descobrindo seu medo e segredos, decodificando o seu ser. Essa zona de aproximação que você queria alcançar é permitida apenas a alguém que lhe é dado uma senha chamada Amor. E você não tinha a senha...
Morreu porque não tinha a reciprocidade, não foi compreendida, não foi amada...


Andréia in Memória Póstumas de Brás Cubas - Capítulo - XXI A BORBOLETA PRETA.



terça-feira, 9 de novembro de 2010

                                   ORNAMENTO


Monstro do pântano cujo dente foi arrancado a golpes de machado, não o querem por perto. Permaneça-te na lama de onde veio. Se for monstro feito de barro, mistura-te a ele e torne-se um único elemento, mais nada. Se for homem composto de atrocidades, afunda-te na lama escondendo seu coração para não ser visto rastro de humanidade.

Homem ou monstro não importa.
O que vale é à lama que te cobre.
Todo homem é barro.
Todo homem é monstro.
Todo homem é solitário...
Unta-te da mais pura composição da natureza humana,
Cujo elemento não se encontra na sociedade.
Adorna-te do que está sob seus olhos e dentro do seu ser.
Sinta prazer num banho demorado de esmeralda, topázio, rubi e ouro.
Não deixará de ser homem monstro, mas a lama que te reveste dá o seu valor.