quinta-feira, 18 de março de 2010

A CAMISA BRANCA

Maria colocou uma camisa branca para lavar. Deixou na bacia de molho no sabão em pó. Joana então decidiu terminar o trabalho de Maria. Pegou a camisa lavou enxáguo e quando foi colocar no varal decidiu deixar mais um tempo de molho. Foi o que fez. Colocou de novo a camisa na bacia. Mas agora já tinha outras roupas lá, de varias cores, mesmo assim Joana colocou. Mas quem teria colocado mais roupas na bacia? Joana não sabia. Maria nem se importava mais com o tal serviço. À tarde Joana resolveu estender a camisa branca, mas para seu espanto, não tinha somente várias roupas coloridas dentro da bacia. Tinha o corpo de uma moça de uns 21 anos, vestida toda de preto até o pescoço. Joana havia visto esse cadáver no chão da área dos fundos. Ela recordava vagamente de quem era àquela moça que vivia nas baladas, uma dançarina noturna. Mas o que o seu corpo fazia ali dentro da bacia Joana não sabia.Ela sentia medo de se aproximar e a camisa branca estava justamente em baixo da falecida. Procurou Maria para esclarecer o fato. Maria nada sabia e achou graça do corpo está de molho. No dia seguinte Joana recordou de ter visto aquela moça. Mas onde? Pensou horas. Lembrou-se. Era a jovem que trabalhava na vigilância sanitária, passava na sua casa uma vez por mês o nome dela nunca lhe perguntará o estranho é que ninguém estava se importando com o fato nem mesmo Joana, que apenas queria a camisa branca, o cadáver era uma pedra no seu caminho. Joana foi contar a Clarice que não quis retirar o corpo da moça de cima da camisa. De tanto procurar quem fizesse este trabalho. Marcos se propôs. Foi lá retirou o corpo e jogou no fundo do quintal num buraco aberto e logo voltou, não demorou mais que cinco minutos. Ao retirar o corpo da bacia marcos colocou no chão para decidir como iria pega-lo. E no chão ficaram limo e restos de pele com carne que cheirava a carne pobre. Maria então aliviada lavou todo o chão com muito sabão, depois foi lavar a roupa, a água da bacia estava preta e tinha o mesmo cheiro do cadáver. Maria lavou toda a roupa e estendeu a camisa branca no varal, sem nenhum cheiro, sem nenhuma marca. Simplesmente branca. Não poderia desfazer de uma camisa cara e bem feita.


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