quarta-feira, 31 de março de 2010

O TEMPO

Quando tudo parece se tornar ofensa;
Quando o coração parece casco de tartaruga;
Quando se perde a noção do dia e da noite.
Quando o ar se torna mais denso;
Quando a presença humana é indiferente.
Quando os pqs já não são necessários;
Quando a união significa separação.
Quando há um abismo entre a palavra e o coração;
Quando se persiste e não há compreensão;
Quando os simples gestos se tornam obrigação;
Quando se procura sem saber a direção;
Quando o ouvido está distante do coração.
Quando se fala demais, para esquecer o pensamento insistente;
Quando se fala de menos, para esconder-se no pensamento permanente.
É hora de partir. Quando o silêncio pode se tornar absoluto.

Andréia

quinta-feira, 18 de março de 2010

O pensar pode ser a libertação da alma,

Pode ser a escravidão dos desejos,

Poder ser o caminho da verdade ou não.

Não quero nem pensar.
A CAMISA BRANCA

Maria colocou uma camisa branca para lavar. Deixou na bacia de molho no sabão em pó. Joana então decidiu terminar o trabalho de Maria. Pegou a camisa lavou enxáguo e quando foi colocar no varal decidiu deixar mais um tempo de molho. Foi o que fez. Colocou de novo a camisa na bacia. Mas agora já tinha outras roupas lá, de varias cores, mesmo assim Joana colocou. Mas quem teria colocado mais roupas na bacia? Joana não sabia. Maria nem se importava mais com o tal serviço. À tarde Joana resolveu estender a camisa branca, mas para seu espanto, não tinha somente várias roupas coloridas dentro da bacia. Tinha o corpo de uma moça de uns 21 anos, vestida toda de preto até o pescoço. Joana havia visto esse cadáver no chão da área dos fundos. Ela recordava vagamente de quem era àquela moça que vivia nas baladas, uma dançarina noturna. Mas o que o seu corpo fazia ali dentro da bacia Joana não sabia.Ela sentia medo de se aproximar e a camisa branca estava justamente em baixo da falecida. Procurou Maria para esclarecer o fato. Maria nada sabia e achou graça do corpo está de molho. No dia seguinte Joana recordou de ter visto aquela moça. Mas onde? Pensou horas. Lembrou-se. Era a jovem que trabalhava na vigilância sanitária, passava na sua casa uma vez por mês o nome dela nunca lhe perguntará o estranho é que ninguém estava se importando com o fato nem mesmo Joana, que apenas queria a camisa branca, o cadáver era uma pedra no seu caminho. Joana foi contar a Clarice que não quis retirar o corpo da moça de cima da camisa. De tanto procurar quem fizesse este trabalho. Marcos se propôs. Foi lá retirou o corpo e jogou no fundo do quintal num buraco aberto e logo voltou, não demorou mais que cinco minutos. Ao retirar o corpo da bacia marcos colocou no chão para decidir como iria pega-lo. E no chão ficaram limo e restos de pele com carne que cheirava a carne pobre. Maria então aliviada lavou todo o chão com muito sabão, depois foi lavar a roupa, a água da bacia estava preta e tinha o mesmo cheiro do cadáver. Maria lavou toda a roupa e estendeu a camisa branca no varal, sem nenhum cheiro, sem nenhuma marca. Simplesmente branca. Não poderia desfazer de uma camisa cara e bem feita.


As palavras


Quantas pessoas já vomitaram palavras imundas em cima de mim...
Talvez elas pensem que meus ouvidos são vasos sanitários.
Pensam que tenho onde dar descarga a todas essas palavras.
E jogam esses excrementos tentando atingir o meu cérebro...
Pior que atingi.
Mas as reações não são a tão esperada.
Evito qualquer reação momentânea.
Ainda que as entendo. Porque não sou diferente disso.

As palavras quando presas me faz mal,
Dói o corpo e enjaula a alma,
Para o corpo e para a alma fixa na cabeça-mente.
Quanto mais penso nos montueiros de palavras
Que deveria ter dito e não disse, mais dói à cabeça.
Então ela desce ao coração.
E dói o peito, uma dor aguda e constante,
Completamente sufocante,

Torno-me uma escrava.
Por obedecer a ordens inconscientemente.
Ando, me comunico, vejo e sinto.
Mas, como um boneco de pano.
Uma Emilia antes da pílula.
Porque os meus sentimentos e minha alma
Estão nas palavras que não foram ditas
E que agora me aprisionam.

As palavras descem até as pernas, as costas, o estômago.
Tudo dói.
O alimento que como me faz mal.
Os vírus, bactérias, e outros corpos estranhos se alojam em mim.
As palavras servem de ponte para esses reinos.
E tudo por não ter dito o que acreditava ser verdade.
O que acreditava ser o correto a ser dito naquela hora.
E tinha que ser naquela hora.

Então as palavras mesmo agindo em meu corpo
Agem primeiro na alma.
Tira minha concentração e minha paz de espírito.
Os meus olhos não mais seguem em direção
Da fonte causadora por todos esses estragos.
Passam a evitar outros olhos.
Minha boca trava e minha mente reflete
Por frações de segundos todas as palavras vomitadas em mim...


De tanto sintomas e dores chega o momento inevitável.
Vomito todas as palavras digeridas...
De volta a mesma fonte de origem.
Só assim volto a dormir, respirar tranqüila, a não sentir dor
E a olhar as pessoas nos olhos.
Andréia
10/11/2009 as 22:46
Ate quando posso esperar, se a noite vem em seguida vem o dia. E vão passando , noite dia , noite dia e se foram o mês, mês a mês e se foram os anos... a vida parou e eu não celebrei os meus aniversários. Quem se recorda senão eu mesma?
...Ando tão parada que procuro me esconder de mim mesma, como falo tão quieta que ninguém me ouve. Vejo-me e não me percebo. Sinto meu corpo desconectado da minha mente. Às vezes penso que a mente não precisaria de um corpo para comandar, por si só é capaz de se manter. Como não quero ver mentes passeando pelas ruas melhor que elas estejam nessas cápsulas humanas enfeitadas e frágeis, pobre cápsulas. Tão frágeis que chega a dar pena. .

Andréia

sexta-feira, 5 de março de 2010

Já não me importo

Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.

Fernando Pessoa

sábado, 27 de fevereiro de 2010

PALAVRA MORTA
Sinto-me num embaraço de neurônios... Cansada, vencida e sem forças. Desisto de tudo, de mim do meu eu. Durmo e acordo no mesmo embaraço... Palavra distorcida. Quem a entortou como fibras de DNA? Esticou e encolheu como uma sanfona desafinada sem nenhuma melodia. Palavra pequena carregada de grande significado achatada como formiga. Textos e mais textos e a palavra? Palavra lagarta vira borboleta, voa pousar em outro texto e morre sem importância. Nasce nova lagarta na tentativa de quando for borboleta voar longe, colorir o ar, o espaço desejado. Pobre lagarta morrerá em novos textos. Palavra como onda nasce de mansinho, cresce, num tamanho significado, diminui e morre dando seu último suspiro na areia. Palavra teimosa repete, repete, repete cansa e se cala... Palavra que dorme profundamente nunca será despertada. Palavra enterrada nunca mais dita, esquecida. Com um dizer em sua cova. AQUI DORME ETERNAMENTE UMA PALAVRA...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ERA UMA VEZ.

ERA UMA VEZ... PORQUE NÃO FORAM DUAS VEZES... APENAS UMA...
EXISTEM AUTORES QUE DIZEM " QUEM VIVE DUAS VEZES O MESMO ACONTECIMENTO É PORQUE NÃO COMPREENDEU O SEU PASSADO." E QUEM VIVE TRÊS, QUATRO? MUITO MENOS. SE BEM QUE A VIDA É UM CÍCLO. SERÁ QUE OS ACONTECIMENTOS DA NOSSA VIDA TAMBÉM SEGUEM EM CÍRCULOS? A MINHA ATITUDE PARA RESOLVER DETERMINADO PROBLEMA É SEMPRE A MESMA? USO SEMPRE AS MESMAS PALAVRAS? OS MESMOS GESTOS? O MESMO COMPORTAMENTO DE SEMPRE QUE DETERMINA A MINHA PERSONALIDADE? OU SERÁ QUE DIANTE DE UMA PERGUNTA REPETITIVA OU DE UM FATO REPETITIVO EU NÃO SEJA REPETITIVA? TUDO QUE SE REPETE CANSA. AO MENOS QUE EU NÃO ENTENDA O SIGNIFICADO DO FAZER DE NOVO. É QUE NO FUNDO EU NÃO TENHA COMPREENDIDO O PORQUÊ O SOL “NASCE”. QUE NA VERDADE NÃO NASCE. EXISTE UMA HISTÓRIA E POR TRÁS DESSA HISTÓRIA OUTRA HISTÓRIA, QUE NA VERDADE ACABO NÃO SABENDO O SIGNIFICADO... HUMM. ENTÃO REPETE E NÃO SE CANSA AQUILO QUE TEM UM FUNDO DE MISTÉRIO. SOMENTE MISTÉRIO OU BELEZA TAMBÉM? FALAR EM BELEZA NESSA ERA É ENTRAR EM CAMPOS CONFUSOS. COMO DIZEM MUITOS AUTORES “O BELO” É DISCUTÍVEL, PODE-SE ATÉ PENSAR EM CHEGAR A UM PADRÃO DE ACORDO COM A MAIORIA. MAS NÃO SERÁ VERDADEIRAMENTE O BELO. PORQUE O CONCEITO DE BELO NÃO ESTÁ LIGADO A UMA FORMUSURA, ALGO LINDO, MARAVILHOSO. ESTÁ RELACIONADO A ALGO QUE NOS FASCINA INDEPENDENTE DE SER BONITO OU FEIO. O BELO É AQUILO QUE ME CAUSA SENSAÇÕES, ESTRANHAMENTO, MUDANÇAS. SERÁ QUE POSSO DIZER QUE O ATO DE SE REPETIR PODE SER BELO SE A CADA VEZ QUE SE REPETEM ME CAUSA SENSAÇÕES? SERÁ QUE O BELO PODE SER O ATO DE SE REPETIR? SERÁ QUE O BELO É O PRÓPRIO CÍCLO QUE NÃO QUEREMOS QUE SEJA INTERROMPIDO? INTERROMPER SIGNIFICA MUDAR. MUDAR SIGNIFICA NOVO CÍCLO. SERÁ QUE É NOVO MESMO? E O CONCEITO DE NOVO? SE ESTIVER SEMPRE LIGADO AO VELHO. É UM NOVO OU É UMA CONTINUIDADE? SERÁ QUE TODAS ESSAS DÚVIDAS É O MISTÉRIO DO ATO DE SE REPETIR? SERÁ QUE GOSTO DAS SENSAÇÕES QUE ME CAUSA O ATO DE REPETIR E POR ISSO REPITO? E O QUE NÃO ME CAUSA BOAS SENSAÇÕES, EU NÃO TORNO A FAZÊ-LO? VÊ-LO? A SENTIR? REALMENTE EU NÃO CHEGUEI A UMA CONCLUSÃO. ISSO SIGNIFICA QUE ESSE TEXTO VAI SE REPETIR.

ERA UMA VEZ... DUAS...TRÊS E A HISTÓRIA SE REPETE...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CÍNICO
CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO
CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO CÍNICO