domingo, 4 de abril de 2010

EU SOU HUMANA
Por mais que tentamos ser fortes. Sempre há um momento que caímos em lágrimas. Por mais que você não queira lembrar-se da família por medo da saudade, você acaba lembrando, ou de alguém que te feriu e você na hora permaneceu calado, mas por dentro foi como um tumor te consumindo vivo ou mesmo que você tenha falado, a dor continua. Por mais que tentamos fugir, somos perseguidos por esse vazio acompanhado de dor. Sofremos porque somos humanos e temos medo de sofrer, ficamos sozinhos porque somos humanos e temos medo da solidão, sentimos porque somos humanos e ninguém é forte o bastante para não chorar. Choramos porque sentimos, porque somos humanos. Mas esquecemos que somos humanos e ferimos sem pensar ou nós machucamos pelo simples ato de ser humano esquecido de sua condição de humano. O amor não é um presente para todos, nem todos conseguem vê-lo, senti-lo, possuí-lo, nem todos conseguem sorrir, nem todos sabem agradecer, nem todos sabem perdoar. Somente o “Humano”. E como ser humano sem lembrar? Sem sentir dor? Sem chorar? E como ser humano para conviver com humanos...?
Nós tornando humano e parte animal.
Andréia
Toda a ignorância, todo rancor, toda a falta de amor, toda a inimizade, todo o egoísmo, todas as palavras dolorosas, todos os gestos infelizes, todos os momentos de desprezo de espera de procura e todos os pensamento inútis. Foram deixados para trás.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O VALOR DA COMPARAÇÃO

COMPARAR: v.t. Examinar em conjunto; estabelecer paralelo entre: comparar ideias, textos. (Sin.: confrontar, cotejar.).

COMPARAR é um ato involuntário do ser humano. Se eu afirmar que a cor vermelha é bonita, significa que eu a comparei com as outras cores e cheguei a uma conclusão, ela é mais bonita. Porém, outra pessoa pode achar que a cor verde é mais bonita. Se eu disser que tal sapato é feio é porque eu o comparei com outros sapatos. Pode ser uma comparação feita até mesmo mentalmente. Você olha o sapato e já identifica que ele é feio. Porque na sua mente você já tem formado as características de como deve ser um sapato para que ele seja considerado bonito pra você. Quando você conta um ocorrido da sua vida para alguém, e esse alguém lhe relata o mesmo ocorrido com parentes ou amigos. Ela está fazendo uma comparação. E toda a comparação há uma conclusão. Um indivíduo separou-seda esposa alegando que ela era irresponsável. Mas e aí? Ele está sozinho? Casou-se com outra mais responsável? Qual foi o resultado final da sua separação? Melhorou ou piorou a sua vida?
O ato de comparar analisa situações ou problemas existenciais. É a conclusão que vai indicar se a comparação obteve um bom resultado, uma nova ideia, um novo aprendizado.
A comparação pode ser realizada de forma criteriosa, a fim de buscar melhores resultados nas atividades. Não é isso que acontece nas empresas que buscam mercado consumidor para seus produtos? Ou até mesmo o consumidor quando quer um determinado produto. Analisando por esse lado, o ato de comparar é um forte aliado do sistema capitalista. É dos resultados da comparação que nasce a escolha, a decisão, a competitividade. E quando se fala em competir todos querem estar na frente. Se estiver na frente maior os lucros. Se os lucros aumentarem melhor qualidade de vida materialmente falando. Há inúmeros casos que a comparação serve de equilíbrio ou o alcance de metas. Quem compra cresce.

Andréia


“... COMPARAR é examinar dois ou mais elementos ao mesmo tempo, a fim de buscar semelhanças e diferenças.
A comparação nesse sentido é uma atitude mental, uma forma intuitiva de conhecimento do ser humano. Toda vez que nos deparamos com um fato novo, com algo desconhecido, procuramos relacioná-lo outros da mesma espécie ou categoria, já vivenciados, conhecidos ou experienciados por nós e, dessa forma, aprendê-lo e incorporá-lo, por sua vez, ao nosso cabedal de conhecimento humano e é nesse sentido que afirmamos ser, a comparação, uma atitude mental espontânea, intuitiva...”
“... a comparação passa a ser excelente instrumento alternativo de análise e reflexão.”

Suely Grand Bonitatibus – Educação Comparada

quarta-feira, 31 de março de 2010

O TEMPO

Quando tudo parece se tornar ofensa;
Quando o coração parece casco de tartaruga;
Quando se perde a noção do dia e da noite.
Quando o ar se torna mais denso;
Quando a presença humana é indiferente.
Quando os pqs já não são necessários;
Quando a união significa separação.
Quando há um abismo entre a palavra e o coração;
Quando se persiste e não há compreensão;
Quando os simples gestos se tornam obrigação;
Quando se procura sem saber a direção;
Quando o ouvido está distante do coração.
Quando se fala demais, para esquecer o pensamento insistente;
Quando se fala de menos, para esconder-se no pensamento permanente.
É hora de partir. Quando o silêncio pode se tornar absoluto.

Andréia

quinta-feira, 18 de março de 2010

O pensar pode ser a libertação da alma,

Pode ser a escravidão dos desejos,

Poder ser o caminho da verdade ou não.

Não quero nem pensar.
A CAMISA BRANCA

Maria colocou uma camisa branca para lavar. Deixou na bacia de molho no sabão em pó. Joana então decidiu terminar o trabalho de Maria. Pegou a camisa lavou enxáguo e quando foi colocar no varal decidiu deixar mais um tempo de molho. Foi o que fez. Colocou de novo a camisa na bacia. Mas agora já tinha outras roupas lá, de varias cores, mesmo assim Joana colocou. Mas quem teria colocado mais roupas na bacia? Joana não sabia. Maria nem se importava mais com o tal serviço. À tarde Joana resolveu estender a camisa branca, mas para seu espanto, não tinha somente várias roupas coloridas dentro da bacia. Tinha o corpo de uma moça de uns 21 anos, vestida toda de preto até o pescoço. Joana havia visto esse cadáver no chão da área dos fundos. Ela recordava vagamente de quem era àquela moça que vivia nas baladas, uma dançarina noturna. Mas o que o seu corpo fazia ali dentro da bacia Joana não sabia.Ela sentia medo de se aproximar e a camisa branca estava justamente em baixo da falecida. Procurou Maria para esclarecer o fato. Maria nada sabia e achou graça do corpo está de molho. No dia seguinte Joana recordou de ter visto aquela moça. Mas onde? Pensou horas. Lembrou-se. Era a jovem que trabalhava na vigilância sanitária, passava na sua casa uma vez por mês o nome dela nunca lhe perguntará o estranho é que ninguém estava se importando com o fato nem mesmo Joana, que apenas queria a camisa branca, o cadáver era uma pedra no seu caminho. Joana foi contar a Clarice que não quis retirar o corpo da moça de cima da camisa. De tanto procurar quem fizesse este trabalho. Marcos se propôs. Foi lá retirou o corpo e jogou no fundo do quintal num buraco aberto e logo voltou, não demorou mais que cinco minutos. Ao retirar o corpo da bacia marcos colocou no chão para decidir como iria pega-lo. E no chão ficaram limo e restos de pele com carne que cheirava a carne pobre. Maria então aliviada lavou todo o chão com muito sabão, depois foi lavar a roupa, a água da bacia estava preta e tinha o mesmo cheiro do cadáver. Maria lavou toda a roupa e estendeu a camisa branca no varal, sem nenhum cheiro, sem nenhuma marca. Simplesmente branca. Não poderia desfazer de uma camisa cara e bem feita.


As palavras


Quantas pessoas já vomitaram palavras imundas em cima de mim...
Talvez elas pensem que meus ouvidos são vasos sanitários.
Pensam que tenho onde dar descarga a todas essas palavras.
E jogam esses excrementos tentando atingir o meu cérebro...
Pior que atingi.
Mas as reações não são a tão esperada.
Evito qualquer reação momentânea.
Ainda que as entendo. Porque não sou diferente disso.

As palavras quando presas me faz mal,
Dói o corpo e enjaula a alma,
Para o corpo e para a alma fixa na cabeça-mente.
Quanto mais penso nos montueiros de palavras
Que deveria ter dito e não disse, mais dói à cabeça.
Então ela desce ao coração.
E dói o peito, uma dor aguda e constante,
Completamente sufocante,

Torno-me uma escrava.
Por obedecer a ordens inconscientemente.
Ando, me comunico, vejo e sinto.
Mas, como um boneco de pano.
Uma Emilia antes da pílula.
Porque os meus sentimentos e minha alma
Estão nas palavras que não foram ditas
E que agora me aprisionam.

As palavras descem até as pernas, as costas, o estômago.
Tudo dói.
O alimento que como me faz mal.
Os vírus, bactérias, e outros corpos estranhos se alojam em mim.
As palavras servem de ponte para esses reinos.
E tudo por não ter dito o que acreditava ser verdade.
O que acreditava ser o correto a ser dito naquela hora.
E tinha que ser naquela hora.

Então as palavras mesmo agindo em meu corpo
Agem primeiro na alma.
Tira minha concentração e minha paz de espírito.
Os meus olhos não mais seguem em direção
Da fonte causadora por todos esses estragos.
Passam a evitar outros olhos.
Minha boca trava e minha mente reflete
Por frações de segundos todas as palavras vomitadas em mim...


De tanto sintomas e dores chega o momento inevitável.
Vomito todas as palavras digeridas...
De volta a mesma fonte de origem.
Só assim volto a dormir, respirar tranqüila, a não sentir dor
E a olhar as pessoas nos olhos.
Andréia
10/11/2009 as 22:46
Ate quando posso esperar, se a noite vem em seguida vem o dia. E vão passando , noite dia , noite dia e se foram o mês, mês a mês e se foram os anos... a vida parou e eu não celebrei os meus aniversários. Quem se recorda senão eu mesma?
...Ando tão parada que procuro me esconder de mim mesma, como falo tão quieta que ninguém me ouve. Vejo-me e não me percebo. Sinto meu corpo desconectado da minha mente. Às vezes penso que a mente não precisaria de um corpo para comandar, por si só é capaz de se manter. Como não quero ver mentes passeando pelas ruas melhor que elas estejam nessas cápsulas humanas enfeitadas e frágeis, pobre cápsulas. Tão frágeis que chega a dar pena. .

Andréia

sexta-feira, 5 de março de 2010

Já não me importo

Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.

Fernando Pessoa